terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Punição, reforço negativo e extinção

A punição, o reforço negativo e a extinção são princípios básicos do comportamento que foram, inicialmente, observados em pesquisas experimentais em laboratório. Cada um desses conceitos se refere a procedimentos distintos. A punição é um procedimento que produz a diminuição da freqüência da resposta punida. Ela pode ser de dois tipos (positiva ou negativa) e essa distinção depende da conseqüência para a resposta punida. Se há um acréscimo de estímulo caracterizamos como positiva, e diferentemente disso, se a conseqüência é a retirada de estímulo dizemos que é negativa. Assim, a apresentação de um estímulo aversivo após a emissão da resposta é uma punição positiva e a retirada de um reforçador positivo após a ação do indivíduo é uma punição negativa. Quando uma criança desobedece a mãe, podemos verificar exemplos de punição. Se ao desrespeitar uma regra, a criança for consequenciada com palmadas terá tido sua resposta punida positivamente. Entretanto se, ao invés disso, a criança receber como conseqüência um castigo no qual ficará sem acesso ao videogame, ela terá tido sua resposta punida negativamente. A extinção se assemelha a punição, pois seu efeito principal também é a redução da freqüência da resposta. Na extinção, porém, o princípio é diferente: uma resposta, anteriormente reforçada positivamente, deixa de ser seguida por essa conseqüência e passa a ser ignorada. Por exemplo, ao avistar uma colega na rua, uma pessoa acena e, se não obtém resposta, tenta novamente. Caso ela seja ignorada mais uma vez, deixa de tentar. Podemos dizer, então, que o comportamento de acenar sofreu extinção. No reforçamento negativo uma resposta é consequenciada com a retirada de um estímulo aversivo e tem assim, sua freqüência aumentada. Um indivíduo, ao estar em contato com vento no rosto em um dia gelado, fecha a janela do carro para evitar o frio, por exemplo. O reforço negativo (o qual pode ser identificado como evento aversivo) é o vento frio.
Apesar de a punição, a extinção e o reforço negativo serem princípios comportamentais diferentes, eles se relacionam. A punição e a extinção são procedimentos que tem em comum o enfraquecimento da resposta, no entanto, produzem efeitos colaterais (basicamente sentimentos) diferentes. Assim, enquanto a punição enfraquece a resposta indesejada rapidamente e gera sentimentos de medo e ansiedade, a extinção tem seu efeito de supressão da resposta em longo prazo e gera frustração. Ambos podem gerar raiva e comportamentos de contracontrole. Além disso, a punição e o reforçamento negativo podem estar relacionados. Uma pessoa, ao ter uma resposta punida experimentará com isso, uma condição aversiva. Ela poderá, diante disso, emitir uma resposta de fuga/esquiva da situação que será reforçada negativamente pela retirada da condição aversiva. Assim, diante de uma punição, o indivíduo tem a possibilidade de emitir uma resposta que amenize a aversividade da punição ou a evite.
Há divergências relevantes sobre procedimentos e conceitos entre os analistas do comportamento ainda em debate. Para mencionarmos algumas: há autores (Skinner e Sidman) que excluem da definição da punição os efeitos comportamentais do procedimento (uma resposta produz um evento aversivo), enquanto outros (Azrin, Ferster, Catania) propõem que há necessidade de incluir o efeito do enfraquecimento da resposta punida (uma resposta produz um evento aversivo e ocorre enfraquecimento de tal resposta). Outro tema controverso é a distinção entre reforçamento positivo e negativo, a qual tem sido minimizada por alguns autores (Jack Michael, por exemplo), os quais sugerem que se fale em reforçamento simplesmente. Ainda mais, tem havido debates construtivos entre os analistas do comportamento sobre o efeito e a adequabilidade do uso da punição. Há convergência sobre a inadequação do uso de procedimentos punitivos ou coercitivos em geral. Questiona-se também se os efeitos da punição são duradouros (quanto a enfraquecer comportamentos indesejados). Sabe-se que punição não instala comportamentos desejados. Finalmente, reconhece-se os efeitos emocionais – em geral negativos – do uso de procedimentos punitivos. Usar ou não a punição e sob que condições usá-la é um ponto polêmico em debate. Essas são discussões que não se esgotaram e, pela complexidade dos temas, merecem ser apresentadas – se for o caso – em texto específico.

¹Note que os termos “positivo” e “negativo” são usados no sentido aritmético: positivo é igual a adição, soma acréscimo; negativo é igual a subtração, retirada. Não há, nos termos, implicação de valor.


Texto de Marisa Richartz, Cursando Especialização em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas/SP
Para ter acesso ao original clique aqui

10 comentários:

  1. Olá...minha pergunta não tem a ver com o texto acima.....é sobre esquemas de reforçamento:
    Em esquema de reforçamento intermitente (intervalo/razão) ...Podemos usar reforçamento negativo (fuga/esquiva) para reforçar as repostas ou o único reforço usado é o positivo??

    Muito obrigada,
    gostei do blog......

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  2. Olá anonima muito obrjgada pela sua visita...mas vamos ver se respondo sua pergunta: reforçamento negativo (tipo fuga) um estimulo aversivo está presente e consequentemente nosso cpto será de ELIMINAR o aversivo; ou seja toda vez que um estimulo aversivo se apresentar nosso cpto será reforçado negativo, faremos de tudo para ELIMINA-LO. No reforçamento negativo (tipo esquiva) nós EVITAMOS o aversivo, o estimulo aversivo não está presente.
    Usamos o reforçamento negativo visando que o individuo aprenda um cpto adequado numa determinada situação. No reforçamento positivo há a APRESENTAÇÃO de um reforçador. Nos esquemas de reforçamento intermitente há sempre a APRESENTAÇÃO de um reforçador e apenas algumas respostas serão reforçadas. Esquema de razao:a APRESENTAÇÃO do reforçador depende da quantidade de vezes em que uma resposta é emitida. Esquema de intervalo: a APRESENTAÇÃO do reforçador depende tanto da passagem do tempo quanto da emissao da resposta após este intervalo de tempo.
    Concluindo: vamos imaginar um rato na caixa que precisa emitir um determinado nº de respostas para não receber o choque (esquema de reforç. em razão). Vc como experimentador reforça o rato positivamente (dando alimento) e o rato se cporta afim de eliminar o aversivo (rer. negativo)

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  3. no seu exemplo :
    “Vc como experimentador reforça o rato positivamente (dando alimento) e o rato se cporta afim de eliminar o aversivo (rer. negativo)”
    Pelo que entendi vc usou um reforçador positivo (alimento) para que o rato se comportasse da maneira desejada afim de eliminar o estimulo aversivo,ok!

    Mas vamos imaginar outro exemplo:
    Vamos imaginar um rato na caixa que precisa emitir 5 vezes a mesma resposta sempre que a luz acende, fazendo isso ele não recebe um choque
    depois de algumas vezes submetido ao esquema, sempre que a luz acende ele prontamente responde 5 vezes ESQUIVANDO-SE do estimulo aversivo.
    Nesse caso seu comportamento esta sendo reforçado negativamente em um esquema de razão fixa??
    Obrigada pela resposta!!!

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  4. Muito interessante sua questao..vamos la....num primeiro momento eu responderia que sim o cpto esta sendo reforçado negativamente em um esquema de razão fixa...mas analisando bem temos outras variaveis que devemos levar em consideração, como por ex. a luz seria um SD que por definição é um reforçador condicionado; o rato não sabe contar entao teremos que ter muita paciencia ate ele emitir 5x o cpto para eliminar o choque, mas quem garante que ele vai emitir 5x o mesmo cpto? e se ele emitir 3x e parar, ele leva choque?? Corremos o risco de colocar o rato em desamparo...então eu colocaria uma outra variavel o alimento por ex. entao o cpto do rato estaria sendo reforçado negativamente e positivamente..a não ser que vc coloque o rato saciado na caixa e condicione ele a emitir 5x o mesmo cpto,mas com que objetivo faria isso??? Ensinar cptos?? Ok..mas ensinar cptos sem reforçar positivamente??? novamentes cairiamos no desamparo..
    Não sei se ficou claro....até eu fiquei confusa, mas vamos la estamos aqui pra isso, discussão é sempre bom, enriquece muito; eu tbem estou aprendendo..
    Obrigada novamente pela visita.

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  5. oi fá,
    perguntinha chata né?
    rsrsrs
    obrigada novamente pela resposta.......
    gostaria de saber se existe algum curso ou grupo de estudo sobre behaviorismo,para não-psicologos em sampa........gostaria de saber também como faço para me tornar uma analista de compotamento,precisa cursar psicologia??

    muito grata.

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  6. Chata não enriquecedora...rsrs..cursos ou grupos de estudos sobre behaviorismo com certeza tem, mas não saberei te dizer onde exatamente. Tente procurar algo no site da ABPMC, ou no site das universidade (PUC, USP, Mackenzie, UNESP,etc) vejam os grupo de estudos programados e tente entrar em contato com os responaveis.
    Dependendo da sua formação há cursos que vc pode fazer, por exemplo o curso de verão da PUC que acontece em janeiro, tem o curso do AMBAN (aprimoramento em TCC), tem o Paradigma. Quanto a se tornar uma AC, no Brasil sim vc precisa ser psicologo(a). Se vc ler o editorial do boletim contexto 33 http://www.abpmc.org.br/boletim/33.pdf
    vc poderá ler mais sobre a certificação de ACs.
    Obrigada.

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  7. pessoal preciso de exemplos de reforço positivo e reforço negativo do ambito de direito ..agredeço desde jááá!

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  8. Olá, Fabiana :) Sou estudante de pedagogia e uma das minhas matérias é introdução à psicologia. Já li 653826378 artigos diferentes sobre punição positiva e negativa e reforço negativo, mas só com a ajuda do seu blog consegui entender direito. Adorei! Só quis deixar um recadinho para te parabenizar! ;)

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  9. Obrigado pela ajuda, hoje tenho uma prova da matéria de Behaviorismo - Psicologia Comportamental, e seu blog foi de grande ajuda.
    Agradecido

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