quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A coragem de enfrentar seus medos

Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.
Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em pantera.
Então ele começou a temer os caçadores.
A essa altura o mágico desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse:
-- Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo. É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente; e enfrentar as adversidades, vencendo os medos...



É isto que devemos fazer. Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos. Senão, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...

                                                                                                                          Autor desconhecido

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

TDAH em "Os Simpsons"




O TDAH não um é simples transtorno, mas sim, um grave problema de saúde. O tratamento desse transtorno envolve uma equipe multidisciplinar (médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, psiquiatras, neurologistas, etc).

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Teste do marshmallow


Este experimento feito com crianças em idade escolar. A criança era colocada em uma sala e era oferecido um marshmallow a ela. O experimentador colocava a seguinte regra: “Você pode esperar e eu te darei mais um, se você esperar você ficara com dois ou você pode comer este agora”
Veja o vídeo:



video  

Viu que algumas crianças seguiram as regras e foram reforçadas positivamente; outras comeram de imediato o marshmallow, foram impulsivas, imediatistas... ou será que queriam se livrar daquela situação aversiva???
A situação em si é aversiva tanto que uma das crianças até abaixa a cabeça para não olhar para o doce, elimina o aversivo, ou melhor dizendo, ele encontra um jeito de resistir e ser reforçado no final; outras cheiram o doce para saciar a vontade, outras pegam na mão e depois lambem os dedos também para saciar a vontade; outras viram o rosto, etc.
A partir deste experimento podemos generalizar esta situação para nossas vidas...
Se fosse você???... Se você se encontrasse diante de algo irresistível, como você se comportaria?
Você é imediatista? Impulsivo?
Você têm autocontrole?
Você analisa a situação e pensa nas conseqüências, sejam elas positivas ou negativas?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

ABPMC

Fiquei sem postar esta semana que passou por um excelente motivo...estava participando do XIX Encontro da ABPMC...o melhor encontro que já fui nesta aréa, se puderem participe dos encontros; no próximo ano será em Salvador....Fica aí a dica.
Eu fui...participei do congresso e fui passear também ninguém é de ferro neh..rsrs
  




domingo, 19 de setembro de 2010

Solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

                                                                                Francisco Buarque de Holanda

sábado, 18 de setembro de 2010

Pense nisso...17

"É um princípio sóbrio: respeite a natureza, use-a a seu favor, não capitule diante dela, não ceda, mas encontre nela própria a resposta para seus objetivos. Usando uma metáfora: ataque contingências com contingências..." (Hélio J. Guilhardi)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Power yoga

Comecei a praticar Power Yoga e na minha primeira aula já tive alguns pensamentos automáticos (comportamento encoberto), do tipo “Caracas nunca conseguirei fazer esta posição” , “Nossa vou ter prestar atenção na minha respiração, ah não vou conseguir....vou entrar em pânico aqui”
Opa..opa...sai pra lá esses pensamentos...substituí minhas fantasias por pensamentos mais realistas e não deixei eles me dominarem, fui lá e fiz as posições que a professora pedia..e foi tudo uma maravilha...rsrsr...também foi um jeito de vencer meus medos, fobias. Com o treino constante os medos, fobias são vencidos,  os movimentos são feito aos poucos lembrando muito o que nós chamamos de dessensibilização.
Pois é até nós, analista do comportamento temos esses pensamentos automáticos negativos e nossas fobias....sempre falo para meus pacientes observarem seus pensamentos e substituí-los por outros mais realistas...
A aula enfatiza muito a respiração.......concordo com meus pacientes, quando eles dizem que respirar é difícil, sim é muito difícil,  pois temos que nós observar (auto-observação), e  olhar para dentro é difícil mesmo,  mas é fundamental  para auto-conhecimento e descoberta de nossos limites.
Se o paciente aprende a respirar na aula de Power Yoga ou na terapia com algumas técnicas que propomos, com o tempo ele generaliza essa habilidade para outros contextos da sua vida.
O Power Yoga é uma prática bastante completa, exercita todo o corpo da cabeça aos pés, dentro e fora. Através da respiração e da execução de diversas posturas, o praticante desenvolve resistência, força, flexibilidade, equilíbrio, consciência respiratória e postural, concentração, relaxamento, vitalidade e total bem-estar.
O Power Yoga desenvolvido por Marco Schultz é um estilo de hatha yoga. Esta atividade não está vinculada a princípios religiosos ou dogmáticos, mas sim à ciência e arte de trabalhar o corpo e a mente em busca do autoconhecimento.
A sincronia fluida de movimentos corporais e respiratórios caracteriza o estilo fluído (Vinyasa) deste trabalho. Outra característica de importância fundamental, especificamente neste sistema desenvolvido por Marco, é a atenção dada à técnica e ao alinhamento do corpo na execução das posturas (Iyengar). Apesar de exigente, o Power Yoga é uma atividade extremamente segura e oferece enormes benefícios a qualquer um que tenha disposição de praticar.
Benefícios do power yoga:
- aumento da consciência corporal;
- aumento da força e da flexibilidade muscular;
- melhora na resistência física e cardiovascular;
- aumenta a capacidade respiratória;
- melhora da postura, da qualidade do sono;
- melhora da concentração (equilíbrio mental e corporal);
- equilibra sistema endócrino;
- reduzindo o estresse.
A pratica do Power Yoga é um treino de auto-observação e auto-controle, pois o aluno precisa focar sua atenção na respiração e na sua força física para se equilibrar. A professora sempre pede para fixarmos nosso olhar num ponto e buscar o equilíbrio; essa é uma técnica que poderemos usar em outras situações quando precisamos nos equilibrar

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Trabalhando com pacientes que não sabem o que querem mudar

Já recebi vários pacientes que chegam na primeira sessão dizendo que não sabem o que trabalhar em terapia, mas percebem que precisam trabalhar algo. Então faço uso de uma "técnica", será que posso chamar de técnica?? Bom vou chamar de técnica mesmo.....
Faço uma avaliação de vários aspectos (físico, psíquico, social, profissional, etc), assim fica mais claro, para o paciente enxergar o que poderemos trabalhar;......como o paciente veio até mim pedindo ajuda mas não sabe o que é, ELES DIZEM QUE PRECISAM MUDAR, mas não conseguem identificar o que precisa ser mudado, sabe que algo incomoda...então uso esta técnica que tem como nome "Roda da Vida". Costumo falar que começando a trabalhar um dos aspectos os outros consequentemente irão melhorar. Com a "Roda da Vida" feita, iniciamos o processo. Os resultados tem sido bons.

Aqui um esboço da "Roda da Vida"
 
A técnica  acima é baseada no que está no início do livro de Greenberger e Padesky (A mente vencendo o Humor). Todos esses aspectos estão interligados; cada aspecto diferente da vida de uma pessoa influencia todos os outros. Compreender como esses aspectos de nossa vida interagem pode ajuda-nos a compreender nossos problemas.  
O terapeuta faz perguntas a respeito dos cinco aspectos da vida mostrados na figura acima: pensamentos (crenças, imagens, lembranças), estado de humor, comportamento, reações físicas e ambiente (passado e presente). Como já disse no começo do post na Roda da Vida esses aspectos estão mais esmiuçados para o paciente entender melhor.
Mudanças em nossos comportamento influenciam o modo como pensamos e também como sentimos (tanto física quanto emocionalmente). As mudanças de comportamento podem mudar também nosso ambiente. Igualmente, mudanças em nossos pensamentos afetam nosso comportamento, humor, reações físicas e podem levar a mudanças em nosso ambiente social.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O PÂNICO EM PÂNICO - Uma visão bem humorada

Pânico em Lisboa (Texto de Mario Prata)

Eram seis e meia da tarde e eu estava no Bingo Belenenses quando comecei a suar frio. Janeiro de 1993. A temperatura lá fora estava perto do zero. Para espanto das bingueiras portuguesas, tirei o casacão, o pulôver, a camisa. Fiquei de camiseta cavada. Meu coração começou a bater muito forte e as minhas mãos suavam frio. Estava pela boa, mas fui ao banheiro passar uma água no rosto. Senti que ia desmaiar. Ou morrer.
Na rua, com o rosto molhado e de camiseta, carregando minhas roupas, consegui entrar no meu carro vomitando na sarjeta. Mas, se você conhece Lisboa, sabe que neste horário o trânsito é o pior do mundo. Enfiei o carro em cima de uma calçada e entrei na primeira farmácia. A mocinha, assustada, olhou para minha cara, eu dizendo que estava morrendo. Pelo olhar pesaroso, ela achou que eu estava drogado e disse que só podia me dar uma pica (injeção) com ordem médica. Me indicou um hospital a duas quadras. E foi me avisando: é particular, o senhor vai ter que pagaire!
Me segurando nas paredes cheguei no pronto socorro do tal hospital particular, entrei direto para um corredor, tinha uma maca, deitei. Chegou uma enfermeira gorda e foi logo avisando que era particular e que eu teria que pagar. Dei meu cartão para ela e o telefone de um casal amigo. E disse pela segunda vez: estou morrendo.
Me levaram para uma sala e me deram uma injeção. A sensação de morte era incrível, inadiável. A enfermeira ficou assustada porque o batimento não abaixava: 180. Chamaram um especialista em coração. Ele ficou mais assustado do que eu. Falou com a enfermeira e ela se aproximou, definitiva:
- Vamos te aplicaire duas picas. Uma no cu (é bunda, em Portugal) e uma sucutânea.
Comecei a rir, é claro. E pensei: pelo menos morro rindo. O batimento não caía. Chega o casal meu amigo. Dou os telefones dos meus parentes no Brasil.
Me levam para a UTI. Ligam milhares de aparelhos em mim. Colhem meu sangue. Exames urgentes. Não deixam o casal entrar na UTI. Médicos discutem em volta de mim. Chegam os resultados dos exames. O médico se aproxima e diz que estão todos normais, apenas faltando um pouco de potássio dentro de mim. Me sugere comer bananas. Até hoje não sei se ele estava me gozando ou não.
Cinco horas depois de entrar no hospital (particular) o batimento volta ao normal. Meia noite. Quero ir embora. Desligar aqueles fios todos. Chamam de novo o médico especialista. Ele não me deixa ir. Tenho que ficar em observação. Ninguém no hospital sabia o que eu tinha. Não, doutor, não há casos de enfarte na família, disse umas dez vezes. A enfermeira, vi ela sussurrar com o médico, desconfiava de alguma droga muito forte. Heroína, coisa mais ou menos comum em Lisboa.
Na minha frente um monitor mostrava o batimento do meu coração. Uma hora eu arrotei e o batimento subiu para 120 e depois voltou a abaixar rapidamente.
Não tendo o que fazer ali, sabendo que não seria daquela vez a minha morte, comecei a pensar bobagem. Se, com o arroto, o batimento subiu para 120, se eu soltar um pum, devo bater o recorde e chegar a 150.
Foi o que fiz. Soltei. Para minha surpresa, não aconteceu absolutamente nada na telinha. Continuou em 80. Mas o cheiro estava muito forte. E a enfermeira gorda, naquele instante inadequado, entrou no minúsculo quarto da UTI. E sentiu. E a minha vergonha fez com que o batimento subisse para 160 em dois segundos. A enfermeira saiu e voltei ao normal.
Quer dizer, mais ou menos ao normal. A partir daquelas picas a minha vida nunca mais seria a mesma. Aquilo se chamava Síndrome do Pânico. Algo que passei a desejar aos piores dos meus inimigos. Até descobrir o que era, em São Paulo, dois meses depois, com o doutor Jair Mari, vivi um inferno particular.
Hoje, dez anos depois, tomando remédio todo dia pela manhã, vou vivendo. Normal. Nunca mais tive nada. Nunca mais levei picas sucutâneas. Nem lá.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

ABPMC 2010 está chegando

O Congresso da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) está chegando. Será nos dias 23, 24, 25 e 26 de Setembro em Campos do Jordão. 
Estarei lá apresentando um painel sobre Auto-estima.....

Informações  e inscrições em: http://www.xixencontroabpmc.com.br




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Transferência e Contratransferência: uma visão comportamental

Transferência e contratransferência são conceitos centrais na compreensão da relação terapêutica nas diversas vertentes da psicanálise. Cunhados por Sigmund Freud, criador da teoria psicanalítica, os termos transferência e contratransferência foram empregados de maneira diferente pela Psicoterapia Analítica Funcional, uma forma de terapia comportamental fundamentada no behaviorismo radical de B.F. Skinner. Assim, o objetivo deste texto é apresentar uma breve explicação dos conceitos freudianos de transferência e contratransferência e explicitar sua aplicação na Psicoterapia Analítica Funcional.
Em psicanálise, a transferência é “um processo constitutivo do tratamento psicanalítico mediante o qual os desejos inconscientes do analisando concernentes a objetos externos passam a se repetir, no âmbito da relação analítica, na pessoa do analista, colocado na posição desses diversos objetos” (ROUDINESCO & PLON, 1998, p. 766-767). Em outras palavras, a transferência é um conjunto de sentimentos positivos ou negativos que o paciente dirige ao psicanalista, sentimentos estes que não são justificáveis em sua atitude profissional, mas que estão fundamentados nas experiências que o paciente teve em sua vida com seus pais ou criadores. Portanto, a característica da transferência é repetir padrões infantis num processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam na pessoa do analista (FREUD, 1916/1976). Inicialmente, a transferência era considerada um impedimento ao processo analítico, na medida em que o conjunto de sentimentos do paciente dirigido ao seu analista teria por objetivo colocar um obstáculo ao processo de análise ao tirar o profissional de sua função e dar a ele outro papel em sua vida (por exemplo, torná-lo seu amante).
Desta forma, a transferência seria um mecanismo de resistência que se manifesta pela tentativa de impedir que a análise continue. Em resumo, neste primeiro entendimento, a finalidade inconsciente da atitude transferencial seria, ao tirar o psicanalista de sua função, tornar o prosseguimento da análise impossível. Contudo, a transferência passou a ser entendida, posteriormente, como peça fundamental na terapia psicanalítica, pois seria ela que permitira e sustentaria a relação terapêutica; de fato, os psicanalistas passaram a utilizar o campo transferencial como instrumento de tratamento. Neste sentido, a superação da transferência ocorreria quando o analista apontasse os sentimentos transferenciais que se originaram em acontecimentos anteriores e que agora estão sendo repetidos.
A contratransferência, na psicanálise freudiana, é compreendida como o “conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do analisando e, mais particularmente, à transferência deste” (LAPLANCHE & PONTALIS, 2001, p. 102), que, segundo Freud, seria um obstáculo à analise que deveria ser neutralizado e superado. É importante observar que Freud utilizou o termo “contratransferência” apenas três vezes ao longo dos 23 volumes de suas obras completas, o que demonstra a concepção negativa que ele tinha acerca deste fenômeno (FREUD, 1910/1970; FREUD, 1915, 1969; SANCHES, 1994). Embora a transferência e a contratransferência tenham recebido desenvolvimentos ulteriores no âmbito psicanalítico (por exemplo, com Sándor Ferenczi, Melanie Klein e Heinrich Racker), uma visão anti-mentalista destes fenômenos foi proposta na década de 1980 por Robert Kohlenberg e Mavis Tsai, criadores da Psicoterapia Analítica Funcional – FAP (do inglês, Functional Analytic Psychotherapy).
A FAP é uma forma de terapia comportamental fundamentada na filosofia do Behaviorismo Radical e nos princípios da Análise do Comportamento. Segundo a FAP, a relação interpessoal entre cliente e terapeuta é o único instrumento de atuação, ou seja, é somente através dela que as mudanças comportamentais são possíveis. Por isso, as subjetividades (sentimentos, emoções, volições, etc.) do cliente e do terapeuta são centrais no manejo terapêutico. Neste sentido, a relação terapêutica pode ser compreendida como uma dinâmica de transferência e contratransferência (VANDENBERGHE, 2006). Entretanto, na Psicoterapia Analítica Funcional, a transferência não é compreendida como um processo inconsciente que ocorre dentro da mente do cliente, mas é vista como a ocorrência de Comportamentos Clinicamente Relevantes – CRBs (do inglês, Clinically Relevant Behaviors).
Os Comportamentos Clinicamente Relevantes (ou CRBs) são os comportamentos-problema e os comportamentos finais desejados que ocorrem durante a sessão (KOHLENBERG & TSAI, 2001). Isto quer dizer que os padrões de interação do cliente com seu mundo cotidiano certamente repetir-se-ão de forma muito semelhante no ambiente clínico. Os CRBs são de três tipos: a) os comportamentos referentes “aos problemas vigentes do cliente e cuja freqüência deveria ser reduzida ao longo da terapia” (KOHLENBERG & TSAI, 2001, p. 20); b) as melhoras ao vivo da problemática que ocorrem dentro da sessão e que podem ser generalizadas para os ambientes extra-consultório onde os problemas do cliente ocorrem e c) a análise funcional que o cliente faz das contingências mantenedoras dos seus padrões de interação com o mundo ou, dito de outra forma, é a observação e interpretação que ele faz dos seus próprios comportamentos (KOHLENBERG & TSAI, 2001).
Consequentemente, o objetivo do psicoterapeuta é observar, evocar e consequenciar CRBs. Por exemplo, imagine um cliente com problemas de assertividade que seja frequentemente desrespeitado e explorado pelas pessoas, o que certamente lhe traz sofrimento. O terapeuta, então, deve estar atento para os comportamentos inassertivos que ocorrem espontaneamente ou então evocá-los na sessão para poder consequenciá-los, visando promover melhoras nestes comportamentos, melhoras estas que devem sempre ser reforçadas. Além de observar, evocar e consequenciar CRBs, o terapeuta deve promover ativamente a generalização, ou seja, deve engendrar maneiras para que as melhoras que ocorreram ao vivo durante a sessão também possam ocorrer na vida cotidiana do cliente (KOHLENBERG & TSAI, 2001; VANDENBERGHE, 2006).
A contratransferência, por sua vez, também não é conceituada como algo que ocorre na mente do psicólogo, mas é compreendida como os efeitos que os CRBs têm sobre a pessoa do terapeuta. Desta forma, é fundamental que o terapeuta observe seus sentimentos em relação ao cliente, uma vez que estes sentimentos são subprodutos da interação que ocorre durante a sessão. Na medida em que o profissional tenha identificado a relação entre o que o cliente faz com o que ele sente, este pode fazer uma comparação com os efeitos que o cliente tem sobre outras pessoas em sua vida cotidiana, o que é um poderoso instrumento de atuação.
É importante observar que muitos comportamentalistas criticam o uso dos termos transferência e contratransferência, na medida em que estão bem estabelecidos em uma abordagem teórica com bases epistemológicas absolutamente diferentes da do Behaviorismo Radical, apontando, com razão, que o mais importante é descrever os processos comportamentais que ocorrem em uma relação terapêutica. Contudo, a Psicoterapia Analítica Funcional, embasada na filosofia do Behaviorismo Radical e nos princípios da Análise do Comportamento, emprega os conceitos freudianos de transferência e contratransferência de forma anti-mentalista ao explicitar que a relação interpessoal entre cliente e terapeuta é um poderoso instrumento de atuação nos processos de mudança comportamental.

Author: Jan Luiz Leonardi


Referências:

FREUD, S. (1910/1970). As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 11, pp. 143-156). Rio de Janeiro: Imago.
FREUD, S. (1915/1969). Observações sobre o amor transferencial. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 12, pp. 208-221). Rio de Janeiro: Imago.
FREUD, S. (1916/1976). Conferências introdutórias sobre psicanálise. Conferência XXVII – Transferência. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 16, pp. 503-521). Rio de Janeiro: Imago. SANCHES, G.P. (1994). Sigmund Freud e Sándor Ferenczi. In: S.A. FIGUEIRA (org), Contratransferência: de Freud aos contemporâneos (pp. 33-59). São Paulo: Casa do Psicólogo.
KOHLENBERG, R. J., TSAI, M. (2001). Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETec.
VANDENBERGHE, L. M. A. (2006). Psicoterapia Analítica Funcional - FAP. Curso ministrado no XV Encontro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental.

* Agradeço ao Prof. Dr. Roberto Alves Banaco pelas valiosas sugestões e revisão deste texto.
 
Texto disponível em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=108 

domingo, 12 de setembro de 2010

Piadinha...

Quantos psicólogos são necessários para trocar uma lâmpada?
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Um psicólogo basta, mas a lâmpada precisa querer ser trocada!




Mas falando sério......é preciso reconhecer que se tem um problema e se dispor a lidar com ele....reconhecendo isso já é um bom começo.


sábado, 11 de setembro de 2010

Reflexões sobre o indivíduo e sua relação com o mundo

Intenção x e resultado y: entenda o descompasso entre o esperado e o obtido (Regina Wielenska)

No início de minha carreira ouvi da supervisora uma história que bem se ajusta ao tema de hoje. Um garoto do ensino fundamental em uma escola particular frequentemente “aprontava em sala de aula”, fazendo bagunça, perturbando a classe.
A cada episódio os pais recebiam o aviso de que o menino fora parar na sala da diretora e então, por sua vez, a mãe ou o pai se preocupava em chamá-lo para entender a história, cobrar explicações do filho, passar um sermão, e terminava por retirar dele um brinquedo ou atividade como forma de castigo. Isso tudo funcionou? Não, castigos, broncas e ameaças pareciam ter efeito zero, o menino andava de mal a pior.
Em desespero de causa buscaram ajuda de uma psicóloga infantil. Essa conversou com o menino, pais e escola. Propôs às partes envolvidas um acordo: os tais bilhetinhos iriam mudar de função; ao final de cada dia a escola se empenharia em enviar um bilhete, de teor absolutamente verdadeiro, sobre algum aspecto favorável do dia letivo do garoto. Podia ser o comportamento de ajudar um colega que acidentalmente deixou cair o caderno, acertar a resolução de um problema, colaborar com as atividades, contribuir com ideias, fazer alguma reclamação de modo assertivo, um sem fim de possibilidades, envolvendo comportamentos pró-estudo e pró-sociais, afetivos e favorecedores do convívio entre os envolvidos. E cada passo em tal direção seria comentado em casa, como evidência das capacidades do menino.
Em um tempo relativamente curto o menino começou a se transformar, e isso ocorreu por meio de mecanismos que se entrelaçavam. Primeiro, até aquele momento pais e escola de certo modo só enxergavam as inadequações do menino e apenas davam “enorme” atenção a ele cada vez que se mostrava rebelde, inadequado, agressivo. As adequações, e elas existiam em alguma frequência acima de zero, passavam em branco. Em segundo lugar, algum fator, ou soma de fatores, pode ter dado início ao frenesi de aprontações. Pode ter sido uma aula chata, falhas de aprendizagem de algum conteúdo, o fato dos pais terem se tornado mais indisponíveis para o menino (dupla jornada, doença, problemas conjugais, etc.).
Não me lembro mais do que foi, mas fica claro que isso serviu para que o comportamento inadequado (que surgiu no contexto da escola) fosse turbinado, fortalecido em termos de sua probabilidade futura, exatamente pelo fato de produzir atenção parental e na escola. “Falem mal, mas falem de mim” tornou-se o lema. Não que o garoto tivesse necessariamente clareza do jogo de forças em ação, mas reagiu a elas em busca de afeto e de atenção focada nele.
Os adultos por sua vez, não tinham a menor noção do tal jogo. Embora o objetivo das broncas e castigos dos pais fosse enfraquecer os comportamentos-problema, paradoxalmente, tudo o que faziam nessa direção apenas servia para fortalecê-los. Ninguém parecia notar, mas o tiro saia pela culatra.
Atenção, reconhecimento, preocupação e o esforço de alguém que se preocupa conosco, quem não gosta disso? O menino e a torcida dos principais times do Brasileirão, todo mundo quer um pouco de afeto. E por vias tortas o menino recebia aquilo do qual estava privado. Não que fosse uma criança lançada às traças, passando fome, sendo vítima de espancamentos e outras coisas horríveis. Mas algo ficou claro: havia atenção de menos para os pontos fortes e excesso de foco sobre os problemas.
Eu só contei um pequeno fragmento dessa intervenção psicológica e mostrei seus efeitos. Muito mais ocorreu, mas peço ao leitor que se limite aos aspectos que resolvi pinçar:
- Para ter uma ação positiva sobre meu filho preciso observar o efeito de meus atos sobre os dele e os dele sobre as pessoas; preciso deixar minhas intenções de lado e identificar relações entre comportamentos e suas consequências.
- Ao contrário de nossos atos, intenções não bastam para transformar o mundo; no intuito de corrigir o comportamento problemático por meio de broncas, castigos e conversas, as inadequações ganhavam corpo pelo fato de produzirem contato diferenciado com a família ou a diretora.
E não podemos esquecer que a descoberta da melhor direção da mudança requer que tenhamos um olhar atento e amoroso sobre as relações humanas. Observar os efeitos do que fazemos, testar hipóteses, experimentar o novo e sentir seus efeitos, tudo isso pode ajudar pais e professores.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AS BROMÉLIAS E A TEIA DE ARANHA



- Quanta bromélia junta! Formam um canteiro natural sobre a rocha.
- Olhe essa teia de aranha entre as folhas...
- Nem a tinha notado... Interessante: olhei e não a vi... Faltou alguma contingência para me fazer vê-la.
- Minha frase criou a contingência. Agora você a vê.
- Assim, no dia a dia, fica claro como o comportamento - de ver no caso - é controlado.
- Os cognitivistas diriam que você não “prestou atenção”, por isso não viu a teia.
- Nesse caso, “prestar atenção” antecederia ver? Seria um pré-requisito?
- Para os cognitivistas sim. No entanto, “prestar atenção” não é causa de ver. As contingências me levam a notar aspectos do meio, a “prestar atenção” em detalhes como a teia. Nesse sentido “prestar atenção”, definida como olhar para algo (teia) e nomeá-lo (“teia de aranha”) é comportamento.
- Mas, então, qual foi a contingência para eu ter notado as bromélias já que ninguém “chamou minha atenção” para eu vê-las?
- Neste caso, a contingência está na sua história de vida. Em algum momento, alguém lhe mostrou uma determinada planta (SD ) e lhe disse “Isto é uma bromélia” (SD verbal com função de modelo para nomeação). A partir daí, quando você diante de uma bromélia verbalizou “bromélia” (R verbal), sua comunidade verbal a consequenciou com algum tipo de reforço positivo (“Muito bem”, “Isso mesmo”, “Vê como as bromélias são lindas?”, etc.).
- Mas, se aprendi em casa o que é uma bromélia, como a reconheço nas rochas?
- Se o treino discriminativo foi repetido com diferentes tipos de bromélias, em diferentes circunstâncias, você, provavelmente, formou o “conceito bromélia”. Isto é, passou a ser capaz de dizer “bromélia” para muitos tipos diferentes de plantas, todas bromélias: generalizou dentro da classe de estímulos (bromélias grandes ou pequenas, floridas ou sem flores, ao vivo ou em fotos, etc.). Simultaneamente, discriminou entre classes de estímulos (não diz “bromélia” diante de uma avenca, ou de uma samambaia, etc.). Tendo formado o “conceito bromélia”, portanto, você está habilitada a identificá-la (uma vegetal bromélia tem função de SD para você) e a nomeá-la em qualquer ambiente.
- Se esse treino ocorreu no passado, onde ficou armazenado para eu usá-lo no presente?
- A idéia de “armazenamento” é cognitivista. Aquilo que foi aprendido não fica “guardado” em nenhum arquivo psicológico, de onde é retirado quando necessário.
- Mas, eu nem estava pensando em bromélias e quando as vi imediatamente as reconheci.
- O “conceito bromélia” está no organismo. Tudo que é aprendido (passou pela condição indispensável de ter sido exposto a uma contingência de reforçamento) passa a fazer parte do organismo. Assim, organismo é o conjunto formado pelo equipamento biológico e pelo repertório de comportamentos adquiridos.
- Entendo. Uma pessoa que nunca aprendeu o que é “bromélia” não poderia nomeá-la, mesmo a tendo diante dos olhos. Não teria pré-requisitos para vê-la. O que não entendo, então é, o papel dos olhos? Eu não vejo com os meus olhos?
- É uma questão interessante. A resposta é não. Os olhos, enquanto equipamento biológico, são um pré-requisito para o comportamento de “ver”, mas não bastam para ver. O que faz um organismo ver, através ou com os olhos, são as contingências que produzem uma discriminação visual.
- Como assim?
- Suponha que você olhe para uma lâmina com sangue através das lentes de um microscópio antes de uma aula prática sobre células sanguíneas. Embora, os diferentes tipos de células sanguíneas estejam lá você não conseguirá distingui-las. Após a aula, em que lhe foram ensinados os conceitos de eritrócitos, eosinófilos, basófilos, plaquetas, etc. você “verá” os diferentes tipos de células. Foram as contingências (produzidas pela aula) que lhe ensinaram a ver aquilo que você não via antes de ter os conceitos, embora as células estivessem o tempo todo diante de seus olhos. Assim, são necessários os olhos (parte do organismo) e as contingências ambientais para ocorrer o comportamento de ver.
- Acho que entendi. Preciso pensar mais sobre isso... Mas, se fui ensinada a ter o “conceito” de “bromélia”, ou seja, se sou, digamos, “um organismo bromeliado”, por que não fico dizendo “bromélia” o tempo todo?
- Porque o “conceito bromélia” está no organismo e também nas contingências ambientais. O “organismo bromeliado” , como você disse (aquele que incorporou o conceito de bromélia em função de sua história de vida) está apto para nomeá-la, mas precisa ser exposto a contingências que evoquem, num determinado momento ou contexto, a resposta verbal para, de fato, nomeá-la. Assim, poderia ser a visão de uma bromélia (SD ), a minha presença (um ouvinte com função de SD e com provável função de Sr ) como aconteceu no episódio. Poderia ter sido outra contingência, por exemplo, alguém perguntar “O que é uma bromélia?”, “Quem viu uma bromélia?", etc.
- Mas, houve um momento no nosso percurso em que sem ter visto nenhuma bromélia eu “pensei” nela.
- Pensou em quê exatamente?
- Pensei que nestas montanhas, bem que poderíamos encontrar bromélias...
- Seu pensamento estava, neste exemplo, sob controle do ambiente físico: um local onde há certa probabilidade de existirem bromélias. (É pouco provável que você pensasse em bromélias no meio do oceano, por ex., exceto sob circunstâncias arbitrárias especiais, como ouvir alguém dizendo “Estou com vontade de comer abacaxi..."). É um exemplo de generalização de estímulos. A probabilidade de pensar em bromélia depende da força da resposta: contingências sob as quais o comportamento foi instalado e o grau de semelhança entre os estímulos presentes e aqueles sob os quais a resposta foi condicionada.
- Você tem razão... Eu já havia visto bromélias em uma região semelhante a esta numa outra viagem que fiz. Agora, o que me chamou a atenção na sua explicação foi que você tratou o meu pensamento como se fosse um outro comportamento qualquer.
- Exato. Pensar é comportar-se. O pensamento é comportamento, sujeito às mesmas leis que qualquer outro comportamento. Sua única particularidade é o acesso para observá-lo. Como se trata de um comportamento privado, sua observação só é acessível à própria pessoa que se comporta (pensa): você no caso.
- Ainda uma coisa me deixa em dúvida... Quando você me perguntou em que exatamente eu havia pensado, dei-lhe uma resposta, mas não foi tudo. De fato, pensei que queria encontrar uma bromélia mas ,além disso, eu “vi” a bromélia que gostaria de encontrar. Posso até descrevê-la para você. Mas, como posso “ter visto” uma planta, com sua flor vermelha, se ela não estava ali?
- Quando você diz que “viu” alguma coisa, e neste caso você viu uma planta que não estava presente, está se referindo a uma outra classe de comportamentos encobertos, que não exatamente pensar. Usualmente, emprega-se nestes casos o verbo imaginar. Ou seja, você imaginou que estava vendo uma planta (é como se você estivesse vendo uma imagem). A concepção de ver uma imagem é também dualista: é como se existisse um objeto e uma cópia dele e em circunstâncias especiais nós vemos a cópia, a imagem. Um resquício da concepção religiosa de corpo-alma, que por sua vez se baseia na filosofia platônica do mundo das sensações e das idéias...
- Como explicar, então, que eu “vi” a bromélia florida?
- A explicação seria a mesma usada para explicar o comportamento de pensar, como foi feito acima, mas agora aplicado a outra classe de comportamento: “ver na ausência do objeto visto”. Assim, é necessário um SD ambiental, no caso região montanhosa, onde bromélias podem ser encontradas. Uma história passada em que existiram contingências que lhe ensinaram a discriminar (visualmente) uma bromélia, a ter um conceito visual de bromélia, ou, mais específico ainda, de bromélias com flores vermelhas e ainda lhe ensinaram que bromélias crescem e florescem em regiões montanhosas parecidas com a que você está escalando. Sem essa história de contingências e sem o controle de estímulo ambiental você não “veria” bromélias. A bromélia que você “viu” não está no mundo platônico das idéias, está na relação entre seu organismo e o aspecto funcional do ambiente; está nas contingências passadas e atuais.
 
 
HÉLIO JOSÉ GUILHARDI e PATRÍCIA B. P. DE S. QUEIROZ - (Instituto de Análise de Comportamento e Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento)
http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/helio/Bromelia_aranha.pdf

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Behaviorismo x Psicanálise


Freudiano: "Qual a natureza do problema e quando começou?"
Behaviorista: "Vamos conduzi-lo ao redor e ver o que acontece" 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pesadelos recorrentes




Interessante essa técnica.... bom saber que é possível alterar um sonho recorrente após imaginarmos repetidamente um novo enredo para esse sonho.
Mas aí não estaríamos condicionando nosso cérebro a se comportar do jeito que imaginamos, ou seja, a sonhar o que treinamos durante o dia??? Por exemplo, se eu ver algo de engraçado e pensar: - “Eu vou sonhar com isto”.... e ficar pensando “nisto” conseqüentemente eu sonho com “isto”.
Não estou criticando a técnica, acho útil em casos de pesadelos traumáticos como o citado na reportagem, mas acho que devemos ir mais além e analisar as contingências relacionadas aos sonhos.

A reportagem completa encontra-se aqui

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Palestra


Ansiedade e Respiração

11/09/2010 – 08:30
Profa. Monisee Zeitune, atua na cidade de São Paulo como professora e instrutora de Kundalini Yoga (certificada pelo Kundalini Research Institute). Academicamente, é bacharel em Administração pela FEA/USP e cursa Psicologia .

Esta e sua oportunidade de aprender a usar a respiração como recurso na diminuição e controle da ansiedade.
Não Percam!

Maiores informações clique aqui

domingo, 5 de setembro de 2010

Ciberbullying

Ciberbullying é a intimidação virtual realizada por meio de ações intencionalmente hostis e repetidas, cometidas por alguém de hierarquia superior, como um colega de escola mais popular.  O prefixo ciber deve-se ao fato de essas ações serem realizadas via telefone celular (mensagens de texto) ou internet (redes sociais).

Leia mais clicando aqui

sábado, 4 de setembro de 2010

Pense nisso....16

"Só existe diálogo quando há uma interação equilibrada entre controle e contracontrole. Se não houver equilíbrio, haverá opressão, submissão ou indiferença." (Hélio J. Guilhardi)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sim...quero dizer...não...

Você já respondeu com um sonoro SIM ou NÃO a alguém e logo depois percebeu que aquela resposta não expressava o que realmente você pensava?... bem...calma aí você não está sozinho(a) isso acontece com muitas pessoas.
Já falei sobre assertividade aqui no blog e volto a falar porque este é um tema muito pesquisado e tenho recebido muitos pacientes com queixas de não conseguirem “se expressar”, ou seja, eles dizem que acham difícil dizer um “NÃO” ou “SIM” em determinadas situações e quando fazem acabam sendo agressivos. Muitos me relatam que querem modificar suas vidas.
A partir de relatos de vários pacientes fiquei pensando e lembrei-me de um filme....a comédia Sim Senhor (Yes Man – 2009) com Jim Carrey. O filme trata de forma divertida o tema da assertividade. Carl interpretado por Jim Carrey, é um sujeito cujo comportamento, trabalho e problemas pessoais, o tornaram voltado apenas ao “não” e ao negativo, fazendo sua vida monótona, triste e sem perspectivas. Certa noite Carl tem um sonho, onde ele se vê morto no sofá. Seus amigos o encontram e não dão muita importância à sua morte (como se ele já andasse mesmo meio morto antes de morrer) e então ele resolve modificar sua vida…Ele recebe um convite para participar de um culto de auto-ajuda, onde basicamente a idéia é dizer “sim” a tudo e a todos em qualquer situação. A partir daí, ele passa por situações inusitadas e algumas até embaraçosas, mas que o fazem aprender outro tipo de comportamento e descoberta de novas emoções e sençações. Em certo momento do filme Carl se apaixona e percebe que os dois extremos são prejudiciais para si e para o outro. Percebe que haverá momentos do “sim” e outros do “não” e se propõe a essa nova maneira de comportamento, analisando a situação e tomando a decisão cabível para cada uma delas.
Ser assertivo é um processo de aprendizagem. Alguns aprendem rapidamente, outros precisam de mais tempo para aprender, mas a recompensa é grande e o processo não é, de fato, tão difícil.
O filme rende várias gargalhadas. Recomendo!!!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Auto-estima e auto-afirmação

Nosso poster para ABPMC deste ano será sobre auto estima e eu estava pesquisando mais sobre o tema para não fazer feio lá no congresso, quando me deparei com essa entrevista que achei bem interessante, ela está no blog do psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar  o endereço está devidamente citado no final da postagem.
  
Entrevista dada a Francine Moreno, repórter do Diário da Região. O Diário da Região é o maior jornal da região Noroeste do Estado, circula em 96 municípios e tem tiragem diária de 23,5 mil exemplares, com 29 mil exemplares aos domingos.
Matéria especial sobre pessoas que vivem em busca de aprovação, para o Caderno Vida & Arte.

Entrevista

1 - Porque algumas pessoas vivem em busca de aprovação? Desejam receber o amor e a aprovação das pessoas em sua volta?
Querer aprovação em demasia é sinal de que a pessoa tem uma auto-estima bastante baixa. Quem tem sentimentos de auto-estima se sente amado, se sente querido e por isso depende menos das aprovações e avaliações alheias. Em oposição, pessoas com baixa auto-estima estão perdidas e não sabem o que escolher ou decidir, e geralmente elas escolhem as pessoas mais sedutoras como modelo e aprovação. Além disso quem tem baixa auto-estima se submete no relacionamento, é controlado aversivamente e se alimenta de migalhas.

2 - A verdade é que ninguém tem necessidade vital de aprovação para ser feliz?
Não. Todo mundo quer ser aprovado de alguma maneira. E em alguns casos é muito necessário: feministas, homossexuais e outros grupos minoritários são radicais para conseguir seu espaço. Tais grupos precisam o tempo todo se auto-afirmar, querem mostrar suas qualidades, competências porque a sociedade os discriminam. O problema é quando a aprovação passa de alguns limites e toma muito tempo da vida da pessoa e aí a pessoa começa a viver mais a vida alheia que a própria.

3 - Querer agradar os outros, desagradando a si próprio, é uma forma de abrir mão da sua identidade?
Isso depende do contexto. Em algumas situações é inevitável nos desagradarmos para fazermos algo que nosso companheiro goste. Uma mãe pode odiar assistir a filmes de guerra, mas vai ao cinema com o filho para agradá-lo o que seria uma forma de afeto. O problema na questão de agradar aos outros está na frequência, intensidade e duração. Ou seja, uma pessoa que quer agradar constantemente aos outros e de forma intensa deixa de fazer aquilo que lhe é reforçador intrínseco (aquilo que é "prazeroso" para si) e assim aos poucos deixa de ser feliz. Imagine por exemplo um filho que quer estudar Medicina porque a mãe gosta e assim ganha atenção e aprovação dela. Ele vai para o curso, mas vive questionando sua profissão e seu curso. Além disso, nunca fica satisfeito com o que estuda. Nas orientações profissionais que realizo em jovens é muito comum acontecer isso.

4 - Como fazer para interromper esse padrão de comportamento que suga energia?
O melhor caminho é o autoconhecimento. O autoconhecimento consiste da observação de nossos comportamentos e entender as múltiplas razões e causas de nossos comportamentos. Em suma, entender ao que realmente respondemos quando nos comportamentos. O que vai depender provavelmente de uma análise da história de vida com questionamentos sobre si mesmo e a busca de respostas e isso pode ocorrer através da leitura de bons livros, psicoterapia, meditação, discussões enriquecedoras etc.

5 - É preciso experimentar dizer sim, não, ousar, seguir a intuição e caminho, mesmo correndo risco de desagradar, de ser criticado ou rejeitado pelas pessoas que não suportam que seja assim?
Para se chegar a isso é importante aumentar a auto-estima do indivíduo. A auto-estima é um sentimento positivo da pessoa sobre si mesma, um sentimento de ser amado e querido; amor a si mesmo. Auto-estima está associado a bem estar e satisfação. A auto-estima é produzida por uma história de vida de origem social quando o filho “não se comporta”. Quando os pais disponibilizam reforçamento social (elogio, carinho, afago físico, atenção, sorriso, convites para programas favoritos etc) independente dos comportamentos dos filhos, estão contribuindo para o desenvolvimento de sua auto-estima. Além disso, é importante que o reforçamento social não seja disponibilizado contingentemente apenas em comportamentos específicos dos filhos, para evitar uma relação do tipo “só ganho carinho se faço algo que os meus pais querem.”
Uma pessoa deixa de responder menos aos comentários e críticas alheios quando gosta de si mesmo. Pode observar ao seu redor uma pessoa que tentar argumentar tudo que falam dela geralmente é uma forma que ela tem para se livrar das críticas e é sinal de baixa auto-estima. Uma pessoa com boa auto-estima consegue tolerar mais comentários alheios sobre si.
Agora para a nossa auto-estima melhorar precisamos ter bons amigos. Durante toda a vida, nosso ambiente interpessoal circundante – colegas, amigos, professores, bem como família – tem uma enorme influência sobre o tipo de indivíduo que nos tornamos. Nossa auto-imagem é formada, em grande medida, com base nas avaliações refletidas que percebemos nos olhos e nas falas de figuras importantes em nossas vidas. É apenas com o relacionamento interpessoal de qualidade, com bons vínculos afetivos é que desenvolvemos nossa auto-estima. Mas é bom lembrar que ter muitos amigos não é sinal da qualidade dos relacionamentos, o que desenvolve a nossa auto-estima é ter relacionamentos genuínos e afetivos. E isso envolve desabafar, ouvir, passar por dificuldades e ser acolhido, ajudar o outro, confiar no outro etc. É importante salientar que isso leva tempo para concretizar porque fazer bons amigos depende do outro, das circunstâncias, de alguns repertórios nossos etc. Logo, os vínculos afetivos que produzem o sentimento de auto-estima são raros. E além do mais, estes sentimentos são produtos de médio e longo prazo. Isto porque envolvem uma construção de confiança a partir de testes naturais na relação.
As Top models em sua maioria são vítimas de contingências que não produzem sentimentos de auto-estima. Geralmente, elas não têm tempo de ter relacionamentos duradouros devido às diversas viagens e compromissos. Como não tem tempo para os relacionamentos vingarem elas não conseguem testar se o parceiro é afetivo ou se os parceiros estão apenas por questões puramente sexuais. Além disso, estão em um ambiente que valoriza muito a estética e além do mais estão inseridas em um ambiente competitivo com outras modelos dificultando mais ainda vínculos genuínos. As circunstâncias são desfavoráveis e diminuem a probabilidade do afeto. Desse modo os relacionamentos tornam-se superficiais, não produzindo sentimentos de auto-estima.

6 - Ao ser quem é, vivendo suas expectativas e escolhendo o que dá certo, você se mantém à margem da armadilha de aprovação e busca realmente aquilo que quer?
Nossa sociedade cria padrões com o objetivo de manter a ordem estabelecida para ter uma maior controle sobre os indivíduos. O que acontece é que as pessoas tem histórias de vida distintas e por isso se comportam de forma diferente e nem sempre correspondem com os padrões desta sociedade. Muitas vezes elas não se comportam de uma forma genuína para não ir em oposição aos padrões sociais, neste sentido é melhor seguir os padrões e ser aprovado, mas depois sempre ficará faltando algo porque a pessoa não segue a sua história de vida mas segue a história de vida alheia. Eu estou falando da variável social, mas é obvio que a história de vida é importante também. Uma pessoa que se sente amada em casa e tem pais que sempre valorizaram suas escolhas responderá mais a sua própria felicidade e menos aos padrões sociais vigentes.

7 - Ninguém perde aquilo que não tem. Quando você vive o que quer, as pessoas permanecem ao seu lado e apreciam por ser quem é, com qualidades e limitações?
Mas falar isso a uma pessoa que tem baixa auto-estima é muito difícil de entender. Muitas pessoas são muito competentes no seu trabalho, mas péssimas em amor próprio. Muitas vezes ela tem um histórico onde o pai apenas dava carinho quando elas eram bem sucedidas nos seus afazeres. Assim, a criança cresce acreditando que será amada se fazer tudo direitinho. Aí ela desenvolve um repertório acadêmico e profissional porque acredita que assim será mais aceito e amado. O que de fato acontece é que isso não desenvolve afeto apenas fortalece a auto-afirmação. Tais indivíduos precisam quebrar a regra do desempenho para terem amor. Eles precisam aprender que precisam ser amados pela sua existência e companheirismo e não pelo sucesso que almejam. Auto-estima se desenvolve na relação com o outro. Onde o outro nos ama (organismo) pelo que a gente é e não pelo que nos comportamos ou temos.
Como a nossa sociedade tem a ilusão que pode comprar auto-estima. As pessoas pobres de estima vão compensar em altas vozes sobre o poder de compra que tem, ou falarão sobre o poder aquisitivo. Logo, o consumismo é uma estratégia perigosa que as pessoas usam para ter bem estar, nossa sociedade acredita no consumo para o bem estar. Mas, isso está longe de desenvolver auto-estima, isso só desenvolve a auto-afirmação.

8 - Mesmo correndo o risco de desagradar, de se sentir criticado ou rejeitado, é preciso seguir em frente. Abrir mão da autorrealização é abrir mão da oportunidade de construir sua felicidade, do seu jeito, no seu tempo, seja ela qual for?
E apenas as pessoas que tem auto-estima conseguem isso. Pode perceber quanto menos uma pessoa tem auto-estima mais ela precisa se auto-afirmar. Se auto-afirmar é responder ao outro, é depender do outro, é querer a aprovação alheia para se sentir amado, mas isso é uma ilusão. Para auto-estima ser elevada é preciso ser amado independente do que temos ou a posição social que estamos e profissional que exercemos. A nossa auto-estima é elevada por um amor incondicional. Ou seja quando gostam da gente independente do que fazemos, mas pelo simples fato de nossa existência e amizade.
Uma pessoa que não possui sentimentos de auto-estima é porque tem uma história de desenvolvimento de privação de afeto. Daí uma forma de fuga/esquiva ineficaz e muito comum são comportamentos com a função de se auto-afirmar. Uma mulher, por exemplo, vai cuidar cada vez mais da sua estética. Um outro indivíduo vai compensar com um eterno desempenho e senso de perfeccionismo. Outras pessoas farão discípulos como forma de conseguir poder e status. É muito tentador ter bajuladores e adoradores e há uma função muito clara. Na verdade, os repertórios de comportamentos de fuga/esquiva (auto-afirmação) vai depender da seleção ocorrida na história de vida do indivíduo. Além disso quando uma pessoa tem seus comportamentos “adequados” extintos ou fadados à punições ou à situações aversivas incontroláveis ela desenvolve o sentimento de baixa auto-estima. Com a função de evitar mais sofrimento ela varia alguns de seus comportamentos e alguns são selecionados. Em alguns casos as pessoas desenvolvem a habilidade de se defender de críticas. Ela fica na defensiva. È uma adaptação natural. Se a crítica vir direto ela sofrerá muito por isso ele s defende veemente. A solução para tal situação é fazê-la discriminar e filtrar as críticas justas das injustas. A pessoas têm que ficar sob controle de que críticas justas devem sinalizar os comportamentos inadequados que devem ser mudados. Já as críticas injustas devem servir como sinal para a defesa. Na situação clínica o terapeuta precisa ensinar repertórios de enfrentamento e defesa da situação com a função de fugir eficazmente. Também é importante desenvolver um amplo repertório de habilidades sociais até ela se sinta segura o suficiente para testar as contingências. Quem tem baixa auto-estima precisa testar a sua importância, ter bons vínculos pessoais. Planejar situações em que o indivíduo entre em contato com pessoas afetivas é a melhor alternativa isto porque aumenta as chances de seus comportamentos de aproximação sejam reforçados em uma situação social. Em síntese, bons vínculos é o melhor ambiente para os carentes de amor a si próprio desenvolverem repertórios “adequados” e bons sentimentos e se livrar da baixa auto-estima que é uma eterna culpa.

9- Quando está centrado, vivendo á partir da própria essência, você se torna capaz de atrair o amor que deseja, sem medo ou carência, sem provar nada, apenas deixando brilhar a luz que existe em você?
Pessoas que tem boa auto-estima tem uma história em que os pais, irmãos ou amigos demonstraram amor incondicional: “Tão bom estar aqui do seu lado; Filhão, você é lindo; Que saudades que estava de você. Perceba que tudo isso é dito independente da atividade do filho. É isso que constrói pessoas mais amadas e com auto-estima. È uma ilusão acreditar que o alto desempenho cria filhos mais amados. Isso só cria pessoas competitivas e bem sucedidas. Por outro lado pessoas que tem um histórico de vida que produziu auto-estima tem regras fortalecidas como: “Eu toco violão menos que meus amigos, mas dá para o gasto.” Ou: “É um baixinho, mas tem um beijo gostoso.”
É importante acrescentar que o sujeito com alto auto-estima nunca vai ser o primeiro. Ele se satisfaz com segundo, terceiro ou quarto lugar. Em contraposição, quem tem baixa auto-estima depende da referência externa, depende do outro, em muitos casos depende do desempenho. Depende da aprovação externa. Por conseguinte a regra: “Agradar aos outros a qualquer custo.” produz más relações ou relações que não duram. Logo, se livrar da aprovação ou reconhecimento dos outros é muito importante para aumentar o sentimento de auto-estima. Quando você não precisa provar mais nada para alguém a sua auto-estima aumenta.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mais um exemplo de condicionamento

Mais um exemplo de condicionamento.
Já mencionei sobre o tema quando falei da canja da dona V.  e do Hot Pocket  e agora o condicionamento aparece no desenho do Pica Pau....pois é ultimamente ando assistindo desenhos..rsrsr...tudo por amor ao meu sobrinho.....estava assistindo Pica Pau e num dos episódios Pica Pau com seu comportamento "sacana" é vendedor de seguros. Pica Pau faz de tudo para convencer o comprador, mostra as vantagens do seguro e etc etc e tal....já saturado da insistência o sujeito assina o contrato...no final do contrato em letras minúsculas diz que a pessoa não esta assegurado em caso de mísseis teleguiados.
Daí começam as complicações......um míssil teleguiado que faz um barulho de tic tac surge. O sujeito que comprou o seguro escuta o tic tac e seus olhos arregalam e ele corre tentando se esconder (fuga), percebemos que o barulho provavelmente é condicionado, pois no final do episódio depois de ter sido atingido pelo míssil e ficar todo quebrado e ir para o hospital, ele nada simpático (agressivo) pede o café para enfermeira, esta gentilmente leva para ele e leva junto uma torradeira que faz o barulho de tic tac. Ao ouvir o barulho seus respondentes são eliciados e ele sai correndo.
O episódio é gostoso de se ver.
Vejam

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