quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estresse é um dos principais causadores de síndrome do pânico


Transtorno de pânico ou síndrome do pânico ou simplesmente pânico é uma doença que afeta globalmente a vida da pessoa que a desenvolveu.Esse tipo de transtorno de ansiedade é caracterizado por ataques de pânico (por isso o nome), os quais podem ocorrer a qualquer momento, independente de onde a pessoas esteja (no mercado, dirigindo, na rua, em casa, etc...) e dura alguns minutos (para a pessoa parecem eternos).
Os sintomas mais característicos durante as crises são:
• Palpitações (o coração dispara);
• Dores no tórax e tensão muscular;
• Sensação de asfixia (dificuldade de respirar);
• Tontura, atordoamento, náusea;
• Calafrios ou ondas de calor, sudorese;
• Sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade;
• Terror: sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a acontecer e de que se está impotente para evitar tal acontecimento;
• Medo de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco.
No transtorno de pânico há um desequilíbrio nos neurotransmissores noradrenalina e serotonina, o que deixa a pessoa com seu sistema de “alerta” (responsável por fazer com que o indivíduo reaja frente a uma ameaça) funcionando de uma maneira anormal. Nesse caso, esse sistema é acionado sem que haja nenhum perigo real. No entanto, não é o que a pessoa com pânico percebe e sente.
O estresse é um dos principais causadores do transtorno de pânico, sendo responsável pela grande maioria das crises. As drogas tanto lícitas quanto ilícitas representam outro fator de risco. Há estudos que averiguaram que há maior frequência em algumas famílias, sugerindo também a predisposição genética como uma das causas.
 

 Para ilustrar, descreverei brevemente um caso clínico, com alteração do nome e alguns outros dados para preservar a privacidade do paciente.
Geraldo é um jovem executivo que veio ao meu consultório com queixa de transtorno do pânico. Ele havia sido diagnosticado por seu atual psiquiatra, com o qual estava em tratamento há pouco mais de um ano. Conta-me logo em nossa primeira conversa que nunca havia feito psicoterapia. No entanto buscou a TCC por ter ouvido falar que era bastante eficaz para casos como o seu. Disse também que há alguns meses o psiquiatra havia começado a diminuir a dosagem da medicação, pois ele havia apresentado melhora (estabilidade), mas logo teve de subir a dosagem rapidamente, uma vez que apresentou uma forte recaída. Conta que ficou muito assustado e não gostaria de passar por aquilo novamente. Porém, não queria tomar a medicação pelo resto da vida.
Ao compreender o contexto de vida do paciente descubro que ele mudou de emprego e logo foi promovido. Isso aumentou em nível considerável suas responsabilidades e carga de trabalho; além de nesse período ter agendado a data de seu casamento. Esses dois fatos ocorreram um pouco antes de ele ter seu primeiro ataque de pânico.
Cabe aqui uma importante consideração a respeito do estresse. Não são somente acontecimentos e situações ruins desencadeiam o estresse. Muitos eventos positivos como viagem, mudança de residência ou localidade, mudança de emprego ou promoção, casamento, etc... são grandes causadores de estresse em grande maioria das pessoas. Tudo depende de como o(s) envolvido(s) percebem a situação e como reagem a ela.
Neste caso, Geraldo estava bastante eufórico com todos os acontecimentos, de tal maneira que já percebia como eles estavam alterando em grande escala a organização de sua vida atual.
Dessa maneira, o trabalho terapêutico com Geraldo iniciou-se com, primeiramente, educá-lo sobre o modelo da TCC e em seguida fazê-lo compreender e perceber que suas reações (fisiológicas, emocionais e comportamentais) provinham em decorrência de como ele percebia (interpretava) o momento. Foi-lhe explicado que, provavelmente, seu primeiro ataque de pânico ocorreu diante de alguma alteração fisiológica (ex. aceleração do coração) que ele percebeu como um fator de risco. Outras situações como essa ocorreram e começaram a tornar-se mais frequentes e então ele começou a sentir-se cada vez pior e mais e mais assustado. Dessa maneira, o quadro de pânico estava instalado.
Após a compreensão do modelo cognitivo-comportamental do transtorno do pânico (explicação de como ele ocorre), passou-se a colocar o foco na interpretação que ele fazia (estar atento aos pensamentos automáticos) e a buscar outras explicações alternativas aos possíveis fenômenos físicos que eram percebidos. Exemplo: quando sua respiração acelerava poderia ser em função de:
• Estar tendo um ataque cardíaco (pensamento automático negativo ou PAN)
Ou
• Ter acelerado o passo;
• Ter feito mais força;
• Estar ansioso;
• Estar eufórico (muito alegre);
• Ter se assustado com algo.
Munido dessa técnica, foram propostos alguns experimentos comportamentais, em ordem de dificuldade, frente a uma lista que foi feita conjuntamente (paciente e terapeuta). Um exemplo desses experimentos comportamentais foi ele voltar a frequentar a academia que havia parado por medo de passar mal. Ele quis fazer uma atividade aquática, pois estava acima do peso e temia machucar-se caso fizesse algum esporte de solo ou retornar-se à musculação. Escolheu a hidroginástica, pois achava menos puxada que a natação. Sua tarefa foi frequentar as aulas, aumentando cada vez mais o nível de permanência nelas e o ritmo do exercício. Para isso, precisou focar sua atenção nos PANs, pensar em possíveis alternativas para as sensações que tinha e confrontar esses pensamentos.
Quando iniciou essa prática, ficou muito assustado uma vez que assim que entrou na água e começou a se mexer, sentiu seu coração acelerando e logo percebeu que pensou “Estou tendo um ataque cardíaco!” Lembrou-se então do trabalho psicoterapêutico e propôs outras explicações para esse evento e em pouco tempo sua ansiedade baixou, de maneira que, mesmo não sumindo por completo, fez-se possível de ser suportada.
Na TCC, esse tipo de experimento enquadra-se no que é chamado de exposição, ou técnicas de exposição. Refere-se a expor o paciente paulatinamente a situações que ele teme de maneira que ele sofre o fenômeno de habituação (acostumar-se com algo ou, na linguagem da TCC diminuição automática e não intencional da intensidade da resposta frente a um estímulo). Essa técnica é muito utilizada em casos de fobias.
Outro ponto que compôs o processo terapêutico desse paciente foi auxiliá-lo a reorganizar sua vida e seu tempo. Para isso trabalhou-se com gerenciamento de tempo, o que requereu do paciente que ele monitorasse as atividades que atualmente desenvolvia através de uma planilha semanal. Além disso, foi investigado tudo o que estava pendente por algum motivo. Exemplos: dívidas, emagrecer, estudar, etc...
Com base nisso seus horários foram organizados de modo que ele tivesse a possibilidade de fazer o que precisava, mas também o que gostava, uma vez que diversos itens de lazer e da vida pessoal e social estavam sendo deixados de lado. Foram também traçadas metas (com datas para início e término) e feito um planejamento de quais os passos para atingi-las. Todas essas ações, possibilitaram que ele se reorganizasse, fosse capaz de planejar como fazer para realizar seus objetivos e diante disso sentisse-se mais no controle de sua vida e portanto menos preocupado com ela.
Em aproximadamente quatro meses, o quadro de pânico foi totalmente revertido, tendo o paciente já durante o processo diminuído a dosagem do medicamento e preparando-se para retirá-lo totalmente, agora sem o medo de fazê-lo e também de recaídas.

Texto de Thaís Petroff, disponível em: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/tcc.htm

Um comentário:

  1. Medo...
    Vontade de dar um grito,
    ou calar-se para sempre
    De ficar parado, ou correr
    De não ter existido
    ou deixar de existir (morrer)
    Não há razão quando a mente não funciona
    (redundante, não?)
    Vão extinguindo-se as questões
    mesmo sem respostas
    Perde-se, neste estágio,
    a vontade de saber.
    O futuro é como o presente:
    É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
    Morreu a curiosidade
    Morreu o sabor
    Morreu o paladar
    parece que a vida está vencida
    Tenho medo de não ter mais medo.
    Queria encontrar minhas convicções...
    Deus está em um lugar firme, inabalável,
    não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
    Até porque, na verdade, confio nele
    O problema é que já não confio em mim mesmo
    Não existe equilíbrio para mentes sem governo
    A química disfarça, retarda a degradação
    mas não cura a mente completamente
    E não existem, em Deus, obrigações:
    já nos deu a vida, o que não é pouco,
    a chuva, o ar, os dias e noites
    Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
    já que seremos vencidos pelo tempo
    (este é o destino dos homens)
    e seremos ceifados num dia que não sabemos
    num instante que mira nossa vida
    e corre rápido ao nosso encontro lentamente
    (ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
    Sei lá...
    Mas não sei se quero estar aqui
    para assistir o meu fim
    Queria estar enclausurado, escondido...
    As amizades que restam vão se extinguindo
    e os que insistem na proximidade
    são os mesmos que insistirão na distância,
    o máximo de distância possível.
    A vida continua o seu ciclo
    É necessário bom senso
    não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
    Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
    Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
    Eu disse bom senso?
    Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
    nem princípios, nem razão, nem discernimento,
    nem força alguma
    Torna-se um alvo fácil
    condenável pelos que estão em são juízo
    E questionam: onde está sua fé?
    e respondo: ela estava aqui agora mesmo...
    ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim...
    o problema é que, quando a mente está sem governo
    (falo de um homem enfermo)
    é como um caminhão que perde o freio
    descendo a serra do mar...
    perde-se o contato com a fé e com tudo o que há...
    e por alguns instantes (angustiantes)
    não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão...
    ah... quem dera, quem dera...
    que a mão de Deus me sustente neste instante...
    em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos...
    porque sou, neste momento
    a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo...
    tenho medo, medo...
    medo de perder o medo
    de sair da vida pela porta de saída...
    medo de perder o medo
    de apertar o botão "Desliga"...

    http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

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