Muito bem elaborada e explicada esta vídeo-aula. Recomendo.
A série Comportamento é composta de vídeo aulas que abordam conteúdos em análise de comportamento. Tem por objetivo contribuir para o ensino de Psicologia Comportamental.
Apresentação: Professor Marco Antônio Amaral Cheque
A realidade virtual é uma tecnologia que permite ao usuário interagir com um ambiente recriado através de um programa de computador.
Muito embora o paciente inicialmente “saiba” que está prestes a ingressar em uma vivência que o levará a um mundo “não real”, ou seja, todas as experiências a serem vividas serão oriundas de uma programação digital, bastam apenas alguns segundos de exposição para que o cérebro do usuário seja literalmente “arrastado” à nova realidade, desfazendo de forma imediata e sumária toda a concepção de uma experiência paralela.
Sabe o resultado? O cérebro do paciente reage como se efetivamente estivesse em uma nova situação (real), reagindo, emocionando-se e, finalmente, respondendo como se estivesse, de fato, em uma “nova situação concreta”. (1)
Acredita-se que a terapia baseada em realidade virtual irá tornar-se, progressivamente, um tratamento de baixo custo em um futuro não muito distante. Além disso, os resultados têm sido tão animadores que Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, arriscaria afirmar que as formas tradicionais de psicoterapia que conhecemos hoje podem vir a sofrer uma poderosa interferência e, rapidamente, impactar a forma de se pensar o processo de ajuda humana.
Em seu livro clássico “Coerção e suas implicações”, Sidman fala sobre como a punição pode ser ineficiente para mudar comportamentos – primeiro porque punir não ensina como se comportar, mas apenas como não se comportar – e segundo que as pessoas podem manter o comportamento punido, mas agora de forma encoberta. É como um filho que é ameaçado pelo pai se tirar notas vermelhas e, ao receber o boletim, esconde-o para não ser pego. Ou o namorado que já foi pego traindo a namorada e quase a perdeu e agora exclui seus rastros digitais apagando conversas no Facebook e no Whatsapp para que não seja punido com a perda do relacionamento.....Texto escrito por Petrus Evelyn no site do Comporte-se.
Essa semana, com grande atenção, o CRP SP recebeu mensagens indignadas de psicólogas/os e usuários de serviços de psicologia que depararam-se com a publicidade inconsequente de empresa que afirmava que “os serviços de Psicologia eram caros e que, portanto, as pessoas ao invés de procurar tais serviços deveriam conversar com o taxista”.
A publicidade de gosto duvidoso e incauta desconhece que, quando o Estado brasileiro regulamenta uma profissão, afirma sua relevância para o bem-estar da população, no que, particularmente, a Psicologia brasileira tem sido reconhecida neste seu papel psicossocial.
Desta forma, considerando a atribuição legal de "orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de Psicólogo e zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe" (Lei 5.766/1971) e o Código de Ética Profissional do(a) Psicólogo(a) (Resolução CFP 010/2005), em especial seu Princípio Fundamental IV, "O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada", o CRP SP, atento a esse tipo de referência com conotação pejorativa à profissão, registra seu REPÚDIO À PROPAGANDA DA 99 TAXIS.
“O laboratório didático com animais é o melhor modo de ensinar os princípios básicos da análise experimental do comportamento?” Dr. Sérgio Cirino, professor da UFMG, e Dr. Bruno Strapasson, professor da UFPR, responderam a essa pergunta – e apresentaram sugestões de leitura para aprofundamento sobre o tema.
A questão proposta é complexa e envolve argumentos de diversos âmbitos – didático, ético, de definição dos objetivos de ensino, de relações entre pesquisa e ensino etc. O objetivo desse breve debate não foi esgotar a questão, mas apenas destacar alguns elementos envolvidos em sua discussão. Os pontos de vista divergentes de Cirino e Strapasson auxiliam os interessados a terem um panorama da discussão. Para um aprofundamento, as indicações de leitura dos professores são um bom ponto de partida.
Quando falamos em aprendizagem lembramos logo de Catania e daquele seu "livrão" verde sobre aprendizagem. Existem várias teorias que falam de aprendizagem, mas aqui enfatizo o a teoria behaviorista. Primeiro devemos nos perguntar como se dá o processo de aprendizagem?
Então eu respondo de maneira sintética.
O processo de aprendizagem acontece quando existe uma motivação para aprender e uma necessidade de aprender. Se ouvimos uma mãe relatar que seu filho aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas, supomos imediatamente que há pouco tempo, aquela criança não era capaz de se equilibrar por conta própria e pedalar ao mesmo tempo. Se perguntamos a uma criança o que ela aprendeu de novo na escola, esperamos que ela nos relate algo novo que não era capaz de fazer anteriormente. Eu levo um escorregão numa poça de água por conta de uma torneira que deixei aberta e afirmo que aprendi da “pior” forma possível a não deixar a torneira aberta. Em todos esses exemplos, reconhecer ou não algo como aprendizagem depende de se considerar o estado presente de algum aspecto do comportamento de uma pessoa em comparação com seu estado anterior. Aprendizagem, então, é uma relação do organismo com seu ambiente; onde o organismo se relaciona (resposta) com seu ambiente (estímulo) promovendo modificação neste ambiente e por consequência este ambiente promove uma mudança neste organismo. A criança aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas por conta de um contexto, onde existia um estímulo para tal, talvez o contexto seria ver outras crianças andar de bicicleta sem rodinhas o que serviu de ocasião (estímulo/motivação) para que esta criança passasse a ter a necessidade de aprender a andar de bicicleta sem as rodinhas. Quando questionamos a criança o que aprendeu de novo na escola temos a expectativa de que algo no ambiente escolar serviu de estímulo (ocasião) para que houvesse uma nova aprendizagem. Nesses exemplos houve um contexto, uma resposta do organismo e uma consequência para que a situação de aprendizagem ocorresse. Quando essa consequência é favorável o organismo continua emitindo esse comportamento; quando a consequência é desfavorável o comportamento não é mais emitido; mesmo sendo uma consequência desfavorável podemos dizer que há aprendizagem. Quando eu não deixo mais a torneira aberta, houve uma ocasião (estímulo aversivo) para que esse meu comportamento fosse mantido.
Catania (1998/1999) em seu livro Aprendizagem define “aprendizagem como qualquer mudança duradoura na maneira como os organismos respondem ao ambiente”.
Quando Catania refere-se a qualquer mudança duradoura, está se referindo à relação estímulo-resposta nova, onde situações semelhantes em que ocorreu a aprendizagem de uma resposta anteriormente, não necessitará passar por uma nova aprendizagem (estímulos semelhantes produzirá respostas semelhantes); o que deverá acontecer é o aprimoramento dessa aprendizagem.
Reforçando e resumindo o que foi dito anteriormente, a aprendizagem se dá quando o organismo age no seu ambiente, sendo este ambiente modificado e está modificação retroage sobre o comportamento desse organismo.
A partir 2005 o curso de Terapia Comportamental da USP estabeleceu uma parceria com o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU), na forma de atendimentos supervisionados de pacientes do hospital encaminhados pelo Departamento de Psiquiatria.
Tal parceria teve importante impacto, tanto no sentido de oferecer ajuda e contribuir com o aumento e agilidade nos atendimentos em terapia comportamental de pacientes do HU, como também no enriquecimento na formação dos profissionais que procuram o curso, que podem ter a experiência em atendimento ambulatorial em hospital.
Com o sucesso dos atendimentos realizados, os atendimentos passaram a envolver orientação de pais, terapia de grupo e de casais. Hoje o curso se consolida comportamental, prática de ensino, atendimento e pesquisa comportamental em um saudável contexto de hospital-escola.
O curso se propõe a fornecer subsídios teóricos e práticos para a formação profissional do Analista do Comportamento, com ênfase no Terapeuta Comportamental, analisando a filosofia subjacente (Behaviorismo Radical), o arcabouço conceitual e as práticas decorrentes.
O curso é composto por cinco módulos (com aulas, atendimento clínico e supervisão) que analisam o processo envolvido na Análise do Comportamento Aplicada, com ênfase na Terapia Comportamental, nos contextos teórico, metodológico e aplicado:
Análise das contingências envolvidas no contexto de atendimento clínico;
Análise de contigências de Processos comportamentais humanas complexas;
A relação terapeuta-cliente;
Problemas comportamentais específicos: os denominados "distúrbios" e "patologias"
Vem aí o V Congresso de Pesquisa Científica das Faculdades Adamantinenses Integradas (CPCFAI 2015)
O V CPCFAI se destina aos pesquisadores, professores, pós-graduandos e graduados de todas as áreas do conhecimento.
O evento será realizado entre os dias 19 e 23 de outubro de 2015 e as inscrições podem ser realizadas pelo hotsitewww.fai.com.br/cicfai entre dias 22 de junho e 27 de setembro.
Os trabalhos podem ser inscritos nas formas de resumo, artigo, com a opção de apresentação oral ou em forma de pôster nas áreas de Agrárias, Biológicas, Exatas e Humanas.
Para fazer a sua inscrição acesse o hotsite. Mais informações no próprio site ou no Núcleo de Prática e Pesquisa da FAI pelo telefone (18) 3502- 7010.
Confira o cartaz em anexo.
Prepare seu trabalho! Faça sua inscrição e Participe!
PÚBLICO-ALVO: PESQUISADORES, PROFESSORES, PÓS-GRADUANDOS E GRADUADOS
Organização: Direção Geral e Núcleo de Prática de Pesquisa (NPP/FAI)
O novo número da Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva está disponível no site, nesta edição há artigos sobre habilidades sociais, práticas educativas parentais e problemas internalizantes nas crianças, Terapia de Aceitação e Compromisso, ética, entre outros! E você pode baixar os artigos em formato pdf.
A análise do comportamento há muito tempo tem abarcado em seus estudos, delineamentos e reflexões as manifestações comportamentais encaradas por outras profissões e abordagens como "doenças mentais". O comportamento considerado psicopatológico tem sido visto como uma de duas origens possíveis: ou são respostas anormais para situações normais (o que indicaria um problema físico) ou são respostas normais a situações extremadas (ou seja, contingências que levariam à aparição e manutenção dos comportamentos denominados psicopatológicos). O âmbito desse estudo na Análise do Comportamento tem sido o dos Modelos Experimentais de Psicopatologia que tentam, por meio de análogos a situações da vida cotidiana, mimetizar o aparecimento dessas manifestações comportamentais. Por meio desses modelos, grande parte da psicopatologia tem sido estudada e descrita, bem como também através desses modelos, procedimentos comportamentais de recuperação e de prevenção às psicopatologias têm sido desenvolvidos.
Psi. Dr. Roberto A. Banaco
INFORMAÇÕES GERAIS
DATA: 27 de Junho de 2015. HORÁRIO: Das 09h às 12:30h e das 14h às 18:30h. INVESTIMENTO: R$ 375,00. FORMAS DE PAGAMENTO: Depósito/Transferência Bancária ou Pag Seguro. MODALIDADES: Presencial e Online. CERTIFICADO: 08h/a. LOCAL: Auditório da Atitude Clínica Psicológica – SEPS 714/914 - Ed. Santa Maria - Sala 208, Brasília-DF. Para mais informações/esclarecimentos envie e-mail para: contato@atitudecursospsi.com
A análise do comportamento compreende que falar de sentimentos pressupõe dizer tanto
de uma relação organismo-ambiente, bem como de todo o conjunto de alterações
produzidas neste organismo e todos os aspectos constituintes de tal relação: a filogênese
(história da espécie), a ontogênese (história do indivíduo) e a cultura. No contexto
analítico comportamental, os sentimentos são vistos como produto colateral em uma
contingência de reforçamento. Isso significa que os sentimentos não têm status causal e
nem assumem posição hierárquica em relação a outros produtos da contingência, como
por exemplo, o comportamento publicamente observável. Dentro do contexto
terapêutico, os sentimentos auxiliam na identificação das contingências atuantes na vida
do cliente, e nesse sentido, cabe ao terapeuta se comportar como audiência não-punitiva
estabelecendo um ambiente que propicie a expressão de sentimentos, a fim de que a
reflexão e análise destes torne o cliente apto a identificar e descrever as contingências
nas quais está inserido, ampliando assim, seu repertório para mudança. Este trabalho
tem como objetivo demonstrar como a Clínica Comportamental analisa os sentimentos
amor e ciúme como se dá a construção de tal repertório nos seres humanos. (Nione Torres, Kellen M. Escaraboto Fernandes)
O famoso filme “O Discurso do Rei”, trata da história de um rei (George) da Inglaterra que foi obrigado a assumir o trono porque o seu irmão mais velho abdicara o trono. George era gago e apresentava extrema dificuldade para falar em público; todas as vezes que precisava realizar um discurso, o sofrimento dele era muito grande de modo que chegava a emudecer por completo. George sofria do que o DSM - 5 classifica como fobia social.
Segundo o DSM 5 (APA, 2014), a fobia Social (FS) ou Transtorno de Ansiedade Social (TAS) é caracterizado essencialmente por um medo ou ansiedade acentuados ou intensos de situações sociais nas quais o indivíduo pode ser avaliado pelos outros. Este indivíduo teme que no momento da atuação as pessoas observem a sua ansiedade e seu medo, e o avaliem de uma forma negativa e isso faz com que as situações sociais e de desempenho sejam percebidas como acentuadamente mais difíceis e perturbadoras do que realmente são. As situações sociais são evitadas e quando essas pessoas necessitam se expor, fazem com um grande sofrimento. O comportamento fóbico-evitativo determina um grave prejuízo no funcionamento desta pessoa, seja no trabalho, na escola ou nas relações sociais.
A fobia social pode ser dividida em um subtipo generalizada em que os temores estão relacionados à maioria das situações sociais e em um subtipo circunscrita ou restrita que é o medo de uma situação pública de desempenho ou de alguma situação de interação social. No filme, o Rei George sofria de fobia social circunscrita, pois seu maior temor era ficar frente a um público.
O analista do comportamento vai realizar a análise funcional, pois ela permite que o clínico identifique a função de um determinado comportamento e determine a intervenção apropriada para modificar as relações comportamentais envolvidas na queixa.
Borges et al. (2011) descrevem que o primeiro elemento a ser identificado em uma análise funcional diz respeito às respostas envolvidas na queixa do cliente. Nessa primeira etapa o clínico ainda não está buscando os determinantes do comportamento-alvo, mas apenas descrevendo o que ocorre e como ocorre. Em geral, os problemas relativos a essa parte da contingência são excessos comportamentais ou déficits comportamentais (falta da habilidade social em caso de fobia social, por exemplo). Em seguida, com base no relato verbal do cliente ou comportamentos observados na interação terapêutica, o terapeuta deve levantar hipóteses sobre quais processos comportamentais estão envolvidos nas respostas-alvo que compõe a queixa, que podem ser referentes a condições consequentes e antecedentes.
Uma análise funcional de um caso de fobia social inclui: Comportamentos – pessoa não apresenta comportamentos esperados de contato social, tem dificuldades de assertividade, é hipersensível a críticas e avaliações, foge e se esquiva de situações sociais. Seus sentimentos e pensamentos são entendidos como comportamentos e não causa de comportamentos. Antecedentes – ser apresentado a outras pessoas, ser criticado, ser observado, falar em público são circunstâncias usuais para o aparecimento de um ou mais dos comportamentos. Consequentes – fuga ou esquiva da situação social ou de desempenho são as principais consequências (Silvares & Meyer, 2000). No caso de George, a gagueira o levava a se esquivar de situações em que precisava se expressar verbalmente. Sentia-se mal ao ser observado pela multidão que o esperava discursar. Naquela época, e ainda hoje, falar em público é uma habilidade muito valorizada.
Clientes com fobia social se beneficiam de técnicas como treino de habilidades sociais.
Caballo (2003) afirma que os comportamentos socialmente habilidosos são aqueles que quando emitidos por uma pessoa num contexto interpessoal, envolvendo expressão de sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos, são feitos de modo adequado e com respeito aos demais. Estes comportamentos solucionam problemas imediatos e previnem problemas futuros. Além disso, muitos dos problemas pessoais podem ser consequências de dificuldades em habilidades sociais, as quais são um elo entre o indivíduo e as pessoas que o cercam. Mas se este elo for disfuncional pode não gerar consequências boas o suficiente, sendo incapaz de proporcionar qualidade de vida para o indivíduo.
Portanto as habilidades sociais são diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo para lidar de maneira adequada com as demandas das situações interpessoais. E considera-se que os déficits de habilidades sociais dificultam o funcionamento social da pessoa e sua capacidade adaptativa (Del Prette & Del Prette, 2001).
As habilidades sociais são divididas em duas categorias, visando principalmente a avaliação dos comportamentos. A primeira categoria é a de habilidade geral, isto é, como fazer e aceitar elogios, fazer pedidos, expressar agrado e desagrado, iniciar conversações, defender os próprios direitos, recusar pedidos, desculpar-se, entre outros. A segunda categoria é caracterizada por elementos constituintes da primeira, como por exemplo, o contato visual, gestos, volume de voz e postura (Caballo, 2003).
Em resumo, este conceito abrange tanto os aspectos descritivos dos comportamentos verbais e não verbais apresentados pelo indivíduo diante das diferentes demandas das situações interpessoais.
Rangé et. al. (2008) apontam que vários estudos associam o déficit em habilidades sociais a transtornos psiquiátricos, sendo a fobia social o transtorno mais comumente associado. Isto se deve ao fato de os fóbicos sociais apresentarem dificuldades relacionadas às interações sociais e, portanto, não possuírem um repertório adequado nesta área.
Em decorrência disso, uma proposta de tratamento para as pessoas com Fobia Social é o Treinamento em Habilidades Sociais. As habilidades trabalhadas durante o treinamento são: iniciar conversas e contatos interpessoais; cumprimentar; apresentar-se frente a pessoas desconhecidas; fazer e responder a convites; pedir e prestar ajuda; entrar em um grupo e pedir para ser incluído; pedir e fazer favores; dizer coisas positivas sobre os demais; apresentar ideias e opiniões; dar e pedir informações; assertividade; dizer não; expressar sentimentos; dar e receber feedback negativo e positivo (Caballo, 2003).
Loureiro et al. (2008) afirmam que embora os fóbicos sociais pareçam ter baixo repertório de comportamentos habilidosos socialmente, o que pode ocorrer é um desempenho inadequado de tais habilidades devido à inibição durante estados de alta ansiedade. Neste sentido, é desejável que também sejam desenvolvidas e estimuladas as habilidades de enfrentamento destes indivíduos.
No filme, o rei George busca tratamento para sua dificuldade em falar em público, encontra um terapeuta que o ajuda a superar essa dificuldade. Através de várias técnicas, o medo e ansiedade de George diminuem. Com o treino constante da voz ele se habitua a ouvir sua própria voz, reconhece e identifica as maiores dificuldades e as aprimora com os treinos sugeridos pelo terapeuta. As habilidades necessárias para George conseguir realizar seus discursos são desenvolvidas no decorrer do tratamento e essas habilidades são generalizadas para outras situações de sua vida.
Referências
American Psychiatric Association
(2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5ª ed.) Porto
Alegre: Artmed.
Borges, N. B..; Cassas,F. A.
(Orgs). (2011). Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos.
Porto Alegre: Artmed, 2011. p. 105-109.
Caballo, V. E. (2003). Manual de avaliação
e treinamento das Habilidades Sociais. São Paulo: Livraria Santos Editora.
Del Prette, A.; Del Prette, Z. A.
P. (2001). Psicologia das relações
interpessoais: Vivências para o trabalho em grupo. Rio de Janeiro: Vozes.
Loureiro, S. R.; Morais, L. V.;
Crippa, J. A. S. (2008). Os prejuízos funcionais de pessoas com transtorno de
ansiedade social: uma revisão. Revista de psiquiatria. Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, v. 30, n. 1.
Silvares, E. F. M.; Meyer, S. B.
(2000). Análise funcional da fobia social em uma concepção behaviorista
radical. Revista Psiquiatria Clínica. (São Paulo); 27(6):329-34, nov.-dez. 2000
Rangé, B.; Levitan, M.; Nardi, A.
E. (2008). Habilidades sociais na agorafobia e fobia social. Psicologia: Teoria
e Pesquisa, Brasília , v. 24, n. 1.
Recentemente um jornal da cidade de Gramado/RS publicou que o Mindfulness esta sendo aplicado em alunos e como resultados observaram-se significativas mudanças no comportamento desses alunos, como por exemplo aumento da concentração, diminuição da agressividade e principalmente uma considerável redução do estresse.
O estresse é um tema bastante estudado e estratégias para redução de sintomas de estresse estão sendo investigadas. O Mindfulness é um procedimento novo que vem sendo aplicado ao contexto clínico e bastante utilizado para redução de comportamento respondentes como taquicardia, tremores, sudorese, dores de cabeça, dores abdominais (sintomas mais comuns do estresse).
Assim como os alunos estão se beneficiando desse procedimento, os professores também poderiam se beneficiar dela e assim exercer sua profissão com menos estresse.
Exercer a função de professor é uma atividade que exige certo grau de habilidade, preparo e conhecimento atualizado. Frente a estas exigências a profissão de professor é tida como uma das profissões mais estressantes.
Assim como aprendemos a emitir determinados comportamentos frente a estímulos específicos. O professor em sua profissão aprendeu que para ser bom em sua profissão deve manter o aluno atento e motivado. Ele se vê cercado de cobranças advindas da sociedade, da escola, dos pais de alunos e da própria exigência em se manter atualizado para responder às expectativas e necessidades de seus alunos. Os constantes desafios que o professor enfrenta para dar conta de suas atividades e que muitas vezes não são alcançados provocam sentimentos de impotência, desejo de fugir de tudo, culpa, cansaço, irritabilidade, nervosismo, desgaste físico e mental. Como consequência das pressões internas, das crenças e valores de cada um, encontramos professores mais vulneráveis ao estresse.
Professores estressados têm alunos estressados e consequentemente aprender torna-se aversivo. Aprender precisa ser algo reforçador, pois professores estressados não consegue elaborar aulas reforçadoras e consequentemente os alunos não se sentem reforçados para se manter em aula, gerando assim comportamentos de desatenção, mal comportamentos, entre outros. Daí a importância dos professores aprenderem a administrarem o estresse, pois assim podem servir como modelos adequados para ensinar aos alunos a administrar o estresse gerado pelas circunstâncias da vida.
Conceito de estresse
O conceito de estresse ou stress tem origem na Física, sendo entendido como o grau de deformidade que uma estrutura sofre quando é submetida a um determinado esforço. A partir desse conceito Selye (1970) define o estresse no homem como um conjunto de reações que o organismo tende a desenvolver ao se deparar com uma nova situação que exige um esforço para a adaptação. Pode-se dizer que o estresse representa uma ruptura no equilíbrio do indivíduo, que diante de uma determinada situação é impelido a mudar, a adapta-se a uma nova realidade, mesmo que ela tenha sido almejada. Essa ruptura no equilíbrio do indivíduo, exigindo dele alguma adaptação pode ser chamada de um estressor.
Os estressores podem ser classificados em estressores “biogênicos” ou externos, que são situações e eventos intrinsecamente estressantes, não dependem da interpretação e atuam automaticamente, como por exemplo, frio, fome, calor, acidentes, doenças, profissão; e estresssores psicossociais ou internos, que é tudo o que faz parte do mundo interno, das cognições de um indivíduo, seu modo de ver o mundo, seu nível de assertividade, suas crenças, seus valores, suas características pessoais, seu padrão de comportamento, suas vulnerabilidade, ansiedade e seu esquema de reação à vida.
Um estressor externo que esta recebendo atenção dos pesquisadores é o que se refere à profissão da pessoa, denominado de estresse ocupacional. Sabe-se que algumas profissões são mais estressantes do que outras, como por exemplo, a profissão de professor como citado anteriormente.
Kryacou e Sutchilffe (1978) e Moracco e Mafadalen (1982) citados por Reinhold (1996) definem o estresse dos professores como uma síndrome de respostas de sentimentos negativos, tais como raiva e depressão, geralmente acompanhadas de mudanças fisiológicas e bioquímicas potencialmente patogênicas, resultantes de aspectos do trabalho do professor e mediadas pela percepção de que as exigências profissionais constituem uma ameaça à sua auto-estima ou bem-estar. Esteve (1999) classificou os indicadores de mal-estar dos professores em dois grupos: primário e secundário. No primeiro grupo estão aqueles fatores que incidem diretamente na ação do professor e geram tensões associadas às emoções negativas. Para o autor, o processo de rápidas transformações do contexto social modifica radicalmente o papel do professor, aumentando de forma significativa suas funções e responsabilidades. A comunidade e a família passaram a atribuir à escola e à figura do professor funções que muitas vezes os professores não estão preparados para exercer. No segundo grupo, o dos fatores secundários, o autor destaca a falta de recursos pedagógicos (material didático, edifícios e móveis adequados) e a violência nas instituições escolares.
No Brasil os trabalhos mais conhecidos para o controle de estresse são os trabalhos de Marilda Lipp. As propostas de trabalho de Lipp enfocam o coping e manejo de estresse que tem como objetivos auxiliar o cliente a desenvolver e programar estratégias para modificar sua interpretação dos eventos estressores, emitir respostas apropriadas às situações estressoras, aprender a conviver com o estressor que não pode ser modificado para assim aumentar a qualidade de vida.
Conceito de Coping
Coping é um termo da língua inglesa que foi traduzido para o português como estratégias de enfrentamento, sendo compreendido como as habilidades que o indivíduo necessita para lidar e se adaptar as situações de estresse. Numa perspectiva cognitivista, Folkman e Lazarus (1980) propõe um modelo que divide o coping em duas categorias funcionais: coping focalizado no problema e coping focalizado na emoção.
Coping focalizado na emoção é definido como um esforço para regular o estado emocional que é associado ao estresse, ou é o resultado de eventos estressantes. Estes esforços de coping são dirigidos a um nível somático e/ou a um nível de sentimentos, tendo por objetivo alterar o estado emocional do indivíduo. A função destas estratégias é reduzir sensação física desagradável de um estado de estresse.
Coping focalizado no problema constitui-se em um esforço para atuar na situação que deu origem ao estresse, tentando mudá-la. A função desta estratégia é alterar o problema existente na relação entre a pessoa e o ambiente que está causando a tensão.
Conceito de Mindfulness
Aprender a lidar com emoções é um motivo que leva muitas pessoas a procurarem auxílio da psicologia. Dentro do contexto dessa necessidade, o conceito de mindfulness ganhou destaque nas terapias comportamentais e cognitivas nas últimas duas décadas.
O mindfulness é muito praticado pelos terapeutas ACT. A ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) faz parte da chamada terceira onda das terapiascomportamentais A ACT oferece uma série de ferramentas clínicas para que se tenha consciência da evitação e também promove a aceitação e tolerância a eventos emocionais aversivos, o que geralmente tira o foco da ação do cliente na busca por seus objetivos. Assim, o intuito seria “aceitar o que não se pode mudar e comprometer-se com o que é possível mudar” (Savoia, Vogel, 2010).
Juntamente com a ACT, desenvolve-se o conceito de Mindfulness.
Mindfulness é o exercício de estar ativo e consciente do que acontece na própria mente, no corpo e nas experiências de vida. O objetivo é prestar atenção nos pensamentos, permitindo que eles apareçam. Ou seja, não há uma proposta de avaliar o pensamento, se é bom, se é coerente, etc. A proposta é apenas observar, tomar consciência e deixar-se experimentar o que acontece no momento presente. A prática de mindfulness passou a fazer parte da medicina comportamental a partir dos programas de redução de estresse de Kabat-Zinn. Kabat-Zinn se baseou na sua experiência pessoal com a meditação, quando trouxe as práticas budistas para a medicina comportamental. Essa contribuição ocorreu no momento em que surgia, no espectro das terapias cognitivo-comportamentais, um campo teórico e filosófico fértil, pronto para recebê-la. A nova tendência na clínica era favorável a esse encontro com a meditação, porque apresentava aspectos muito semelhantes aos do budismo: ensinava que as sensações e emoções negativas não devem ser combatidas, mas aceitas de um ponto de vista transcendental; valorizava emoções positivas, atitudes de vida de compaixão e um desprendimento dos conteúdos conceituais (Hayes, 1987; Linehan, 1993 apud Vandenberghe & Assunção).
A prática do mindfulness não tem cunho religioso algum, longe disso, esse tipo de intervenção tem sido bastante estudado cientificamente, e seus benefícios podem ajudar pessoas com os mais elevados níveis de estresse.
Referências
ESTEVE, J. M. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores.Bauru: EDUSC. 1999.
FOLKMAN, S., & LAZARUS, R. S. An analysis of coping in a middle-aged community sample. Journal of Health and Social Behavior, v. 21, pp. 219-239, 1980.
LIPP, M. E. N. Inventário de sintomas de stress para adulto de Lipp – ISSL. São Paulo: Casa do Psicólogo. 2000
REINHOLD, H. H. Stress ocupacional do professor. Em M. E. N. Lipp (Org.), Pesquisas sobre stress no Brasil: saúde, ocupações e grupos de risco. Campinas, SP: Papirus. pp. 169-194. 1996.
SAVOIA, M. G., VOGEL, K. Evidências na Terapia Cognitivo Comportamental. Artigo disponibilizado via e-mail pelas autoras
SELYE, H. The evolution of the stress concept: stress and cardiovascular disease. In L. Levi. Society, stress and disease. V.1, pp.299-311. London: Oxford University Press, 1970.
VANDENBERGHE, L.; ASSUNÇÃO, A. B. Concepções de mindfulness em Langer e Kabat-Zinn: um encontro da ciência Ocidental com a espiritualidade Oriental. Contextos Clínicos, v. 2, n. 2, jul/dez. 124-135, 2009.
Bazinga??? Isso mesmo, você leu certo. “Bazinga” é uma expressão usada pelo nerd Sheldon Lee Cooper, personagem fictício da série The Big Bang Theory. Sheldon é extremamente inteligente, possui dois doutorados e um mestrado. Mas Sheldon apresenta alguns comportamentos e/ou características que nos sugere ser alguém com Síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista. Algumas características do portador da Síndrome de Asperger são: pouca habilidade social, dificuldades em processar e expressar emoções (este problema leva as outras pessoas ao afastamento, por pensarem que o indivíduo não sente empatia), interpretação literal da linguagem, dificuldade com mudanças em sua rotina e com pessoas desconhecidas ou que não vê há muito tempo e comportamentos estereotipados.
O personagem fictício tem pouca habilidade social e impõe uma regra de convivência que chama de "strikes": cada vez que alguém faz algo que vai de encontro a suas regras, a pessoa comete um "strike". Ao completar três "strikes", esta pessoa ficará fora de seu grupo social por um ano ou até assistir a uma aula sua sobre as regras de convivência. Sheldon não tem muita empatia para com seus amigos ou namorada (Amy); apresenta alguns comportamentos estereotipados (como piscar os olhos e mexer o canto dos lábios quando é contrariado, principalmente, por seu amigo Leonard); e o lado esquerdo do sofá é dele e ninguém mais pode sentar ali. Sheldon também não compreende sarcasmos ou metáforas. Quando algum de seus amigos usa uma metáfora, ele pára, pensa no que seu amigo falou e o corrige usando termos científicos.
Quando Sheldon tenta ser irônico ou sarcástico ele se utiliza da expressão “Bazinga”. Por mais diferentes que sejam as contingências, a topografia é sempre a mesma (Bazinga), seguida ou não por uma outra expressão. Se Sheldon está contente ele lança um “Bazingaaa”, se Sheldon está triste ele fala “bazinga”, se Sheldon está com raiva ele fala “Bazinga, punk! Now we're even!” como aconteceu em um dos episódios em que ele é contrariado por Leonard e resolve dar o troco.
O uso desses diferentes “Bazingas” pode ser visto nos vídeos abaixo.
Skinner (1978) em seu livro Comportamento Verbal categoriza o comportamento verbal em sete operantes verbais primários: tato, mando, ecóico, textual, cópia, ditado e intraverbal; e em um operante verbal secundário, o chamado autoclítico.
Os comportamentos verbais secundários ou autoclíticos são respostas verbais que não são emitidas isoladamente, mas em conjunto com algum outro operante verbal primário e têm a função de aumentar a precisão da influência de seu comportamento verbal sobre o ouvinte.
Segundo Matos (1991, p. 340)
A
palavra autoclítico refere-se à característica do falante de editar a própria
verbalização: rearticular, seccionar, articular, organizar sua fala enquanto
está falando. Neste sentido, o falante em sua esfera privada, deve ser ouvinte
dele mesmo, precisa ouvir suas verbalizações, avaliar as possíveis
consequências de cada uma sobre o comportamento do ouvinte, reorganizar sua
verbalização e então emitir aquela verbalização que produzirá as consequências
mais reforçadoras ou mais efetivas.
Bazinga poderia ser classificado como operante verbal do tipo autoclítico. Sheldon organiza a sua fala de maneira que ele apenas muda a entonação ao usar a expressão “Bazinga”. Essa mudança na entonação nos dá informações sobre o seu estado interno.
Ao analisar mais profundamente esse autoclítico chegamos à conclusão de que é um autoclítico qualificador. O autoclítico qualificador é aquele que qualifica o tato, alterando o seu valor.
O comportamento do ouvinte pode ser afetado de acordo com o autoclítico qualificador que o falante utilizar. Por exemplo, dizer “Bazinga, I don´t care” é diferente de dizer “BAZINGA, PUNK! NOW WE´RE EVEN”. O ouvinte pode se posicionar de maneiras diferentes na presença de cada uma das afirmações em função do autoclítico emitido pelo falante.
Howard, Leonard e Raj são ouvintes assíduos dos autoclíticos de Sheldon e a cada bazinga emitida por ele observamos que a reação de seus amigos é diferente.
Provavelmente da próxima vez que for assistir a série você ficará sob controle das verbalizações de Sheldon, principalmente em relação ao BAZINGA!!!!
Referências
Matos, M. A. (1991). As categorias formais de comportamento verbal de Skinner. In Matos, M. A.; Souza, D. G.; Gorayeb, R. & Otero, V. R. L. (Orgs.). Anais da XXI Reunião Anual de Psicologia. Ribeirão Preto, SP: SPRP, 333-341.
Santos, G. M.; Santos, M. R. M.; Cunha, V. M. (2012). Operantes verbais. Em N. B Borges, F. A Cassas (cols.). Clínica Analítico-comportamental: Aspectos Teóricos e Práticos. Porto Alegre: Artmed.
Skinner, B. F. (1978). Comportamento verbal. São Paulo: Cultrix.